Safra de pêssego deve ser menor no RS
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Imagem: Pixabay
FRUTICULTURA

Safra de pêssego deve ser menor no RS

Produção da fruta vem caindo ao longo dos anos nos pomares gaúchos
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O clima prejudicou a safra de pêssegos no Rio Grande do Sul neste ano. As geadas que ocorreram em agosto, e falta de chuvas na primavera reduziram a quantidade de frutas nos pomares, tanto nas variedades voltadas para indústria como para as de mesa. No entanto, segundo a Emater, a qualidade das frutas tem sido boa, e os produtores tem conseguido obter valores rentáveis pela produção.

Nas principais regiões produtoras de pêssego do Estado, a Serra (com frutas voltadas para o consumo de mesa) e na Zona Sul (onde a produção é destinada, principalmente, para a indústria de doces e compotas), a falta de chuva tem reduzido o tamanho (calibre) das frutas. O tamanho da safra também pode ser afetado. Na região de Pelotas, por exemplo, enquanto a produção anual varia entre 40 mil a 60 mil toneladas, para a safra de 2020 é esperada a colheita de apenas 30 mil toneladas da fruta, segundo a Emater.

Entretanto, a produção de pêssego no Rio Grande do Sul já vem sofrendo baixas há vários anos. De acordo com dados do IBGE, em 2019, o Rio Grande do Sul colheu 110.205 toneladas da fruta, 60% de toda a produção brasileira no ano. (183.132 toneladas). Já em 2018, a produção foi de 146.431 toneladas, quase 25% maior. Duas décadas atrás, em 2000, os pomares gaúchos produziam mais de 1 milhão de toneladas de pêssego.

Segundo Evair Ehlert, responsável técnico pelos sistemas de produção vegetal da Emater regional de Pelotas, uma das causas para a redução são as dificuldades que os produtores enfrentam para manter a atividade. “É uma cultura que exige alta demanda de mão de obra. Não é possível mecanizar a poda e a colheita, e os produtores acabam investindo em outras produções, como grãos, onde é possível o plantio, ou mesmo a olericultura”, afirma.

Essas dificuldades também são enfrentadas entre os agricultores da zona rural de Porto Alegre, onde a produção de pêssegos é uma atividade tradicional. No entanto, enquanto na década de 1980 a Capital gaúcha já chegou a destinar 600 hectares para o cultivo na fruta, hoje em dia a área ocupada pelos pomares é de apenas 20 hectares.

“Os custos da mão de obra e o alto valor da terra faz com que o agricultor invista em outra cultura, como hortaliças, ou até mesmo desistam da atividade rural para vender as áreas”, explica Luís Paulo Vieira Ramos, chefe do escritório municipal da Emater em Porto Alegre. “a zona rural do munícipio já teve cerca de 40 famílias que se dedicavam ao pêssego. Hoje são apenas 16”, afirma.

De acordo com Vieira, a safra de pêssego em Porto Alegre, neste ano, deve ter uma redução em torno de 12%, com a colheita de 140 toneladas da fruta. Em 2018, a safra atingiu 160 toneladas.

Apesar da baixa colheita comparada com outros polos da fruta, como Pinto Bandeira e Pelotas, que colhem mais de 18 mil toneladas de pêssego, os produtores de Porto Alegre têm uma vantagem em relação a outras regiões: o preço de venda. Como a comercialização na Capital é feita de forma direta ao consumidor, sem passar por atravessadores, os agricultores conseguem obter preços médios por volta de R$ 8,00 o quilo. No interior, os valores estão girando entre R$ 2,50 e R$ 4,00 o quilo.

Devido à pandemia de Covid-19, a tradicional Festa do Pêssego, que acontecia no bairro Vila Nova, teve sua 36ª edição suspensa. No entanto, os produtores estão comercializando as frutas em uma feira na Praça XV, no Centro Histórico. Com seis bancas, a venda de pêssegos e outros produtos da zona rural da Capital gaúcha segue até o dia 3 de dezembro, de segunda a sábado, das 9h às 17h. Além disso, a fruta está sendo comercializada no Brique da Redenção, nos finais de semana, em pontos tradicionais de oferta na Vila Nova, Ipanema, Restinga e outros bairros.

PÊSSEGO NO RS

Safra de 2019
Área plantada: 11.895 hectares
Produção: 110.205 toneladas
Principais produtores:
Posição Município Quantidade (t)
1º Pinto Bandeira 18.700
2º Pelotas 18.107
3º Caxias do Sul 11.700
4º Farroupilha 8.100
5º Antônio Prado 7.330
6º Canguçu 7.200
7º Morro Redondo 3.600
8º Flores da Cunha 2.900
9º Ipê 2.600
10º Bento Gonçalves 2.130

Fonte: Produção Agrícola Municipal/IBGE


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