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Controle Integrado de Pragas em Grãos Armazenados

sucesso no controle de pragas passa obrigatoriamente pela adoção e implementação das praticas de manejo, sendo intrínseco ao grau de envolvimento e comprometimento de toda a equipe de trabalho das unidades de armazenamento e beneficiamento.

Com muita satisfação, acompanhamos nos últimos anos, uma constante quebra de recordes na produção nacional de grãos. Este fato não se deve exclusivamente a expansão das fronteiras agrícolas, mas principalmente na adoção de um sistema integrado de práticas inovadoras que iniciam no sistema produtivo antes mesmo da semeadura, se estendo durante o cultivo, colheita e pós-colheita.

Toda esta concentração de esforços do produtor poderá ser inútil se o produto depositado em armazéns vier a sofrer perdas devidas ao ataque de pragas. As pragas são as maiores causadoras de perdas quantitativas, além de serem responsáveis pela perda de qualidade dos grãos e de seus subprodutos no momento que são encaminhados à comercialização e consumo. Segundo a Embrapa, as perdas por ataque de pragas durante o armazenamento chegam a 10%. Diante de um índice tão expressivo, e mantido ao longo dos anos, consideramos de caráter emergencial a divulgação de ações que visem identificar e reduzir drasticamente estas perdas a níveis tecnicamente aceitáveis. E de suma importância a mudança de comportamento dos armazenadores. Tanto administradores como operadores devem conhecer a unidade de armazenagem para que em conjunto possam identificar e prever possíveis pontos de entrada e abrigo de pragas.

Durante a recepção, secagem, armazenagem e beneficiamento de grãos em uma unidade armazenadora e ou beneficiadora, e inerente ao processo, à geração de pó e de resíduos. Normalmente junto a estes resíduos estarão os principais focos de pragas que existem dentro da unidade. Dentre as pragas ali existentes, estarão presentes os insetos que permanecem de uma safra para outra no aguardo da entrada de novo produto. Estes resíduos acumulam-se nas moegas, máquinas de pré-limpeza e limpeza, secadores, elevadores, estruturas metálicas das correias transportadoras e caracóis, túneis, passarelas, fundos e montantes internos de silos e fundos de armazéns graneleiros. A primeira ação a se tomar será no sentido de higienizar a unidade armazenadora / beneficiadora, através da remoção e eliminação destes resíduos. Com o objetivo de eliminarmos os insetos remanescentes na unidade, imediatamente após o processo de eliminação dos resíduos contaminados, procede-se à aplicação de inseticidas residuais, nas moegas, máquinas de pré-limpeza e limpeza, elevadores, correias transportadoras e ou caracóis, elevadores, passarelas, silos e armazéns graneleiros. Como medida complementar, e com o propósito de atingir possíveis focos de insetos nas partes mais altas dos silos e dos armazéns onde a aplicação residual não foi possível de ser realizada, podemos lançar mão do uso da termonebulização. Cabe lembrar que este método de aplicação de inseticidas não deixa residual, portanto, somente ira controlar os insetos presentes no momento da aplicação.

Uma vez a unidade devidamente higienizada e desinfestada, a mesma esta apta para o recebimento da nova safra.

Nesta etapa, vários fatores podem favorecer a incidência de insetos no produto armazenado, dentro os quais citamos:

• Umidade de armazenamento

• Temperatura da massa de grãos

• Presença excessiva de resíduos finos e grãos quebrados junto à massa de grãos

Como medidas de controle e recomendado uma secagem adequada, aeração apropriada e a remoção dos resíduos finos e grãos quebrados através do processo de pós-limpeza. Ainda com relação aos resíduos finos, ressaltamos que sua presença na massa de grãos provoca bolsões de temperatura elevada, dificulta o processo de aeração, dificulta a eficiência dos tratamentos com inseticidas líquidos e a propagação do gás nas operações de expurgo. Cabe lembrar que devemos dispensar especial atenção ao descarte dos resíduos gerados pelas máquinas de pré-limpeza, limpeza e secador, pois se tratam de um excelente foco de pragas, dentre elas os insetos.

A massa de grãos deve ser inspecionada periodicamente, em intervalos de tempo nunca superiores a quinze dias. Nestas inspeções são observadas principalmente às condições qualitativas e fitossanitárias do produto. A interpretação e o monitoramento dos dados coletados servirão como informações decisivas na programação e execução das operações fitossanitárias.

Para auxiliar na determinação das medidas de controle a serem implementadas, e recomendável que se saiba identificar e conhecer os hábitos das principais pragas que infestam produtos armazenados.

Métodos de controle de insetos:

1) Físicos

a) Remoção física: Pré-limpeza, higienização;

b) Secagem;

c) Aeração;

d) Uso de pós inertes: Terra de diatomáceas

Vantagens:

Substitui tratamentos líquidos convencionais

Não tóxico ao operador

Os Insetos não desenvolvem resistência

Ausência de resíduos tóxicos

Não agride meio ambiente

Sem carência

2) Químicos

a) Preventivo: Tratamento executado sobre uma massa de grãos livre da presença de insetos.

Este método consiste na aplicação de inseticidas líquidos sobre os grãos, previamente submetidos ao processo de limpeza e secagem, no momento de carregar a unidade de armazenagem. A qualidade da distribuição e homogeneização do inseticida na massa de grãos e fundamental para o sucesso do tratamento. O inseticida aplicado, ira proteger os grãos contra o ataque de pragas que tentarão se instalar na massa de grãos.

b) Curativo: Tratamento executado sobre uma massa de grãos com uma população de insetos já estabelecida.

• Fumigação ou Expurgo:

Este método consiste na aplicação de inseticidas apresentados em forma sólida – Fosfetos metálicos, os quais ao entrarem em contato com a umidade do ar reagem liberando o gás Fosfina (PH3), o qual age no sistema respiratório dos insetos promovendo a eliminação dos mesmos.

Principais vantagens da fumigação:

I. E o único método capaz de eliminar todas as fases de desenvolvimento dos insetos, ou seja, ovo, larva, pupa e adulto;

II. Pode ser realizada em diferentes matérias primas e produtos elaborados;

III. Garantia da ausência de residual de agrotóxico no produto e ambientes tratados.

O precursor do gás Fosfina amplamente utilizado em nosso país e o Fosfeto de Alumínio. O produto reage com a umidade do ar produzindo o gás Fosfina (PH3), da seguinte maneira:

AlP + 3H2O Al(OH)3 + PH3

Esta reação inicia lentamente e vai se acelerando gradualmente. O calor e a umidade do ar aceleram a reação, enquanto que o ar frio e seco tem efeito oposto.

Cada grama do produto comercial (Gastoxin) libera 1/3 de seu peso em gás Fosfina (PH3). Sendo assim, um comprimido fumigante de 0,6g libera 0,2g de Fosfina.

A Fosfina é um gás incolor e inodoro, muito tóxico aos insetos, homem e outras formas de vida animal. E uma molécula extremamente volátil e com alta pressão de vapor. A combinação destes fatores, aliada à alta toxicidade aos insetos, confere ao Fosfeto de Alumínio uma larga eficiência como fumigante. O produto comercial contém carbamato de amônia, que ao reagir libera amônia e gás carbônico. Estes gases são basicamente antichamas e atuam como inertes reduzindo os riscos de inflamabilidade. A amônia atua ainda como um gás de alerta.

Após a reação do Fosfeto de Alumino, temos como resíduo um pó cinza claro composto basicamente por hidróxido de alumínio, que e uma substância não tóxica ao homem e animais. O descarte deste resíduo deverá seguir rigorosamente as instruções do fabricante.

O sucesso da operação de fumigação depende de três pontos fundamentais que interagem entre si,

Dosagem:

Dada a marcante capacidade de expansão do gás Fosfina (PH3), este se distribui por todo o ambiente a ser fumigado.

Desta forma a dosagem deve ser estabelecida de acordo com o volume total do ambiente em expurgo, independentemente deste estar ou não repleto de grãos. De uma forma geral a dosagem recomendada e de 6 gramas do produto comercial(Gastoxin)por m3, portanto, 2g de gás Fosfina por m3.

A dosagem não deve ser alterada em função de um maior ou menor grau de infestação, espécie de inseto ou para compensar possíveis falhas de vedação.

Vedação:

Como a fumigação utiliza um inseticida na forma de gás, e obrigatório que se tenha uma vedação adequada para que se possa obter a hermeticidade do ambiente em expurgo, garantindo desta forma que a concentração ideal do gás seja atingida e mantida a fim de proporcionar a eliminação de todas as fases de desenvolvimento dos insetos. A correta vedação, além do propósito anterior, visa dar proteção às pessoas e demais seres vivos presentes na área em fumigação. Os materiais utilizados no processo de vedação são:

• Lonas plásticas de PVC ou polietileno;

• Cobras de areia ou similares

• Vedantes a base de poliuretano

• Massa de calafetar

• Fitas adesivas

Tempo de exposição:

Embora o gás Fosfina tenha um forte poder de expansão e penetração, e necessário o estabelecimento de tempos mínimos de exposição, visto que o gás necessita de um período mínimo para se distribuir por toda a massa de grãos atingindo desta forma a concentração letal para eliminar todas as fases de desenvolvimento dos insetos, principalmente as jovens (ovos e pupas), que respiram menos. Abaixo apresentamos tabela do fabricante com recomendações para o tempo de exposição:

Temperatura Especificação do tratamento Período (em horas):

na massa de grãos Sementes em geral 120

Sementes de feijão 76

Acima de 25°C Grãos armazenados, Sacarias 120

farinhas, farelo de soja, Silos metálicos, porões de navios 240

cacau,cevada e fumo Graneleiros horizontais 288

Entre 15°e 25°C Aumentar o período acima sugerido em 20%, exceto para sementes

Abaixo de 15°C Fica impossibilitada a Fumigação

Conforme apresentado, a fumigação e um método eficaz de controle de insetos o qual não deixa resíduos tóxicos quer nos produtos como nos ambientes tratados. Desta forma, com o objetivo de se manter uma efetiva barreira de proteção tanto nos produtos como no ambiente de armazenamento, se faz necessária a aplicação de inseticidas residuais.

Embora os tratamentos químicos aqui apresentados sejam de simples execução, alertamos para o fato de que os mesmos envolvem riscos, portanto, devem ser executados e supervisionados por profissionais devidamente treinados e habilitados.

Finalizando deixamos uma pequena mensagem: O sucesso no controle de pragas passa obrigatoriamente pela adoção e implementação das praticas de manejo, sendo intrínseco ao grau de envolvimento e comprometimento de toda a equipe de trabalho das unidades de armazenamento e beneficiamento.

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