Aperto na oferta pode elevar preços do trigo
Aumento do frete reduz a competitividade
Aumento do frete reduz a competitividade - Foto: Canva
A oferta de trigo no Sul do país mostra sinais de aperto, com reflexos diretos sobre preços e estratégias de abastecimento nos principais estados produtores e consumidores. Segundo a TF Agroeconômica, o cenário no Rio Grande do Sul indica que a disponibilidade interna não será suficiente para atender à demanda até a próxima safra.
A estimativa é de que o estado ainda conte com cerca de 840 mil toneladas disponíveis para venda. Mesmo com março totalmente coberto e uma distribuição linear do volume restante, seriam cerca de 120 mil toneladas mensais para os sete meses seguintes, frente a uma necessidade de moagem entre 208 mil e 242 mil toneladas por mês. A diferença aponta para a falta de aproximadamente metade da matéria-prima necessária, o que pode pressionar os preços a partir de abril. O mercado gaúcho segue travado, com vendedores pedindo R$ 1.100 no interior, enquanto moinhos ofertam entre R$ 1.050 e R$ 1.060 para entrega em março e pagamento em abril. O preço de pedra ao produtor permanece em R$ 54 em Panambi.
O aumento do frete internacional, de US$ 18 para US$ 21,45 por tonelada, reduz a competitividade do trigo argentino e dificulta importações para composição de blends. Ainda assim, o estado deverá necessitar de pelo menos 700 mil toneladas externas para manter o ritmo de moagem.
Em Santa Catarina, moinhos seguem priorizando trigo gaúcho ao redor de R$ 1.070, mais ICMS e frete, enquanto ofertas locais a R$ 1.250 CIF não encontram espaço. No Paraná, a entrada de trigo do RS e do Paraguai, mais baratos, reduz a demanda pelo produto paranaense e mantém os preços pressionados.