Arroz em floração: praga ou doença? Saiba identificar
Confundir sintomas pode atrasar decisões e ampliar perdas na panícula
Foto: Pixabay
O estádio reprodutivo do arroz concentra algumas das decisões mais sensíveis da safra. É quando a lavoura avança para emissão de panícula, floração e enchimento de grãos — e qualquer estresse, ataque de pragas ou avanço de doenças pode se refletir diretamente em espiguetas vazias, grãos manchados e queda de qualidade.
O problema é que, nessa fase, os sinais no talhão podem enganar. Panículas esbranquiçadas, falhas no enchimento e manchas em glumas ou grãos podem indicar tanto dano de insetos sugadores quanto infecções fúngicas. Na prática, o “parecido” leva a um erro comum: tratar como doença o que é praga (ou o inverso) e perder tempo na janela crítica.
Para reduzir esse risco, a primeira etapa é organizar a observação em campo. Antes de concluir, o produtor e o técnico precisam responder três perguntas: onde começou, qual parte da planta foi mais atingida e em que momento o sintoma apareceu (início da floração, grão leitoso, grão pastoso). Essa sequência ajuda a separar casos pontuais de um problema que está se espalhando.
Em geral, pragas tendem a deixar sinais associados ao comportamento de alimentação e à presença do inseto na área, muitas vezes com maior intensidade em bordaduras, reboleiras ou pontos de entrada. Já doenças costumam apresentar evolução relacionada a condições favoráveis de ambiente e a padrões de lesão que aparecem de forma mais consistente em estruturas como folha-bandeira, bainha e panícula.
No reprodutivo, o cuidado aumenta porque o impacto é direto no resultado final. Uma panícula que não enche corretamente pode representar perda de peso, piora do rendimento industrial e aumento de grãos quebrados, dependendo do tipo de dano. Por isso, diagnóstico rápido não é detalhe: é estratégia.
Outro ponto-chave é padronizar o “local de checagem”. No reprodutivo, olhar apenas folhas pode ser insuficiente. A inspeção precisa incluir pescoço da panícula, glumas, folha-bandeira e colmo, além de checar se há sinais de presença de insetos nas plantas, sobretudo nos horários e pontos do talhão com maior atividade.
Mesmo quando o sintoma é evidente, a recomendação é evitar decisões no “automático”. Em muitos casos, o talhão pode ter mais de um fator ocorrendo ao mesmo tempo: uma pressão de praga coincidindo com condições favoráveis a doença. Separar a causa principal e o que é secundário define a prioridade e a eficiência do manejo. Com o diagnóstico mais claro, a orientação é seguir o caminho do manejo integrado: monitoramento, práticas culturais e, quando necessário, uso de soluções registradas e recomendadas para o alvo e para a cultura, respeitando rótulo e boas práticas. No reprodutivo, o custo do atraso costuma ser maior do que o custo da checagem bem feita.