Preços do milho ganham força no mercado
Enxugamento da oferta ocorreu mesmo com a colheita da safra de verão em curso
Foto: Nadia Borges
Os preços do milho avançaram em boa parte das regiões monitoradas pelo Cepea na semana passada, em um movimento puxado pela menor oferta do cereal para negócios imediatos no mercado spot. Com menos produto disponível para pronta entrega, compradores passaram a disputar com mais intensidade os lotes disponíveis.
Segundo dados divulgados pelo Cepea, esse enxugamento da oferta ocorreu mesmo com a colheita da safra de verão em curso e com um quadro de estoques de passagem mais confortável. Ainda assim, o ritmo dos negócios no mercado físico foi influenciado pela redução do volume efetivamente colocado à venda no curto prazo.
Esse cenário mostra que a disponibilidade imediata nem sempre acompanha o volume total já existente no país. Na prática, a prioridade dos agentes tem se voltado para outras frentes no campo e na logística, o que acaba reduzindo a presença de vendedores no mercado de milho e sustentando a valorização do cereal.
Boa parte dos agentes está concentrada nas entregas de soja e também na semeadura da segunda safra de milho. Com isso, a comercialização do cereal para entrega rápida perde espaço neste momento, o que restringe a oferta disponível e contribui para elevar a concorrência entre os compradores. Pelo lado da demanda, consumidores e demais compradores também têm buscado reforçar seus estoques, de olho no abastecimento das próximas semanas. Esse movimento aumenta a pressão sobre o mercado disponível e ajuda a explicar a elevação dos preços observada em várias praças acompanhadas pelo Cepea.
No quadro nacional, a Conab estimou, em relatório divulgado na sexta-feira, 13, que a safra 2025/26, iniciada em fevereiro, deverá começar com estoque inicial de 12,68 milhões de toneladas. O volume supera com folga as 1,88 milhão de toneladas registradas na temporada 2024/25, indicando uma situação mais confortável na comparação entre os ciclos.
Além da questão da oferta, o transporte também segue no radar do setor. Segundo dados divulgados pelo Cepea, a disputa por fretes já é intensa e pode ganhar força nas próximas semanas. A preocupação aumenta diante da alta dos combustíveis, em meio aos conflitos no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz.