Energia solar pode derrubar gigantes hidrelétricas?
No México, o complexo solar de Puerto Peñasco deve ultrapassar 1 GW de capacidade
No México, o complexo solar de Puerto Peñasco deve ultrapassar 1 gigawatt de capacidade - Foto: Divulgação
A comparação entre grandes usinas evidencia diferenças relevantes em custo, prazo e capacidade de geração. De um lado, projetos hidrelétricos consolidados; de outro, empreendimentos solares mais recentes e com rápida evolução tecnológica.
No México, o complexo solar de Puerto Peñasco deve ultrapassar 1 gigawatt de capacidade instalada até 2027, com investimento estimado em US$ 1,6 bilhão. O projeto, dividido em quatro etapas, será implantado em cerca de dois mil hectares no deserto de Sonora e deve atender aproximadamente 1,6 milhão de residências.
Já a Usina Hidrelétrica de Itaipu, construída entre 1975 e 1982, possui capacidade instalada de 14 gigawatts, cerca de 14 vezes superior à do projeto mexicano. O custo total da obra variou entre US$ 47 bilhões e cerca de US$ 63,5 bilhões ao longo do tempo, considerando financiamentos e juros.
A diferença de tempo de construção é significativa. Itaipu levou aproximadamente sete anos para ser concluída, enquanto o complexo solar mexicano avança em etapas mais rápidas, com previsão de conclusão total em poucos anos, reforçando a agilidade dos projetos solares frente a grandes obras hídricas.
Na comparação de custos, a diferença por capacidade instalada é expressiva. Puerto Peñasco apresenta custo aproximado de US$ 1,6 bilhão por 1 GW. Já Itaipu, considerando o valor total pago, supera US$ 3 bilhões por gigawatt. Em valores atualizados, uma usina com características semelhantes à de Itaipu poderia ultrapassar US$ 80 bilhões, diante da inflação acumulada, exigências ambientais e custos mais elevados de engenharia.
Pelos números, a energia solar mostra vantagem em custo proporcional e velocidade de implantação. Por outro lado, Itaipu mantém superioridade em escala e geração contínua. A análise indica que projetos solares são mais vantajosos economicamente, enquanto hidrelétricas seguem estratégicas pela robustez e volume de energia entregue.