Nova etapa do projeto Lagos do São Francisco beneficiará mais de 2,6 mil produtores rurais em quatro estados do Nordeste
Projeto beneficiará produtores rurais de seis municípios do Nordeste
Foto: Divulgação
Foi lançada, no dia 12 de março, em Paulo Afonso (BA), a segunda fase do Projeto Lagos do São Francisco. A iniciativa é executada pela Embrapa Semiárido com financiamento da AXIA Energia, em parceria com a Fapeg, prefeituras municipais, Emater de Alagoas e Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro).
Com investimento de R$ 2,4 milhões e duração prevista de três anos, a nova etapa promoverá ações voltadas ao desenvolvimento social e produtivo nas comunidades do entorno dos lagos formados por usinas hidrelétricas do Rio São Francisco.
Ao todo, 2.636 produtores rurais deverão ser beneficiados em seis municípios: Delmiro Gouveia e Olho D’água do Casado (AL); Paulo Afonso (BA); Petrolândia (PE); e Canindé do São Francisco e Porto da Folha (SE).
Nesta fase, serão implementados planos de ação voltados a diferentes cadeias produtivas, como fruticultura, criação de galinha caipira, bovinocultura, caprinovinocultura, produção de hortaliças e beneficiamento de leite e frutas. O projeto também contempla ações ambientais, incluindo a recuperação de nascentes e matas ciliares, além de atividades de gestão e comunicação.
Durante o evento de lançamento, que reuniu autoridades, produtores rurais, técnicos e representantes de instituições parceiras, foram apresentados depoimentos de agricultores que participaram da primeira fase do projeto e detalhadas as atividades previstas para o novo ciclo.
Fortalecimento da produção e parcerias
Na abertura, a Chefe-geral interina da Embrapa Semiárido, Lúcia Kill, destacou a relevância das parcerias institucionais para o desenvolvimento sustentável. “É uma grande satisfação participar do lançamento desta nova etapa do projeto Lagos do São Francisco, que mostra como a cooperação entre instituições públicas, setor privado e organizações locais pode gerar resultados concretos para o desenvolvimento regional”, afirmou.
Segundo a gestora, os resultados anteriores comprovaram o potencial da integração entre pesquisa, assistência técnica e capacitação. “Investir em conhecimento, inovação e qualificação é uma das formas mais eficientes de promover o desenvolvimento das comunidades rurais”, destacou Lúcia.
A diretora da AXIA Energia, Márcia Hassoff, ressaltou que o projeto integra a política de investimento social da empresa e busca contribuir para o desenvolvimento das comunidades situadas nas áreas de influência de suas operações.
“Esse é um território muito importante para a história da AXIA, que nasceu em Paulo Afonso há mais de 75 anos. Acreditamos muito no potencial da região e em iniciativas que promovam capacitação, geração de renda e fortalecimento da agricultura local”, afirmou.
Segundo a diretora, a continuidade do projeto reforça o compromisso da companhia com os territórios onde atua. “A primeira fase do Lagos do São Francisco demonstrou resultados importantes. Estudos indicam que, a cada real investido no projeto, foram gerados três reais em valor para a comunidade. Esperamos que esta nova etapa amplie ainda mais esses impactos positivos”, concluiu.
Metodologia baseada em aprendizado prático
De acordo com o pesquisador da Embrapa Semiárido e coordenador do projeto, Rebert Coelho, um dos diferenciais da iniciativa é a metodologia baseada na implantação dos Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs). Esses espaços funcionam como unidades demonstrativas instaladas em propriedades de produtores selecionados, atuando como ambientes de aprendizagem prática para a aplicação de tecnologias.
“Nos CATs, os produtores recebem insumos, como mudas, sementes e ferramentas, e têm a oportunidade de aprender e aplicar técnicas de manejo em diferentes culturas, sempre considerando a capacidade e a aptidão produtiva de quem está sendo atendido”, explicou Rebert.
Na primeira fase (2019-2024), foram implantados 508 CATs, atendendo diretamente 508 produtores e capacitando mais de 5.200 pessoas. Com a nova etapa, a expectativa é ampliar o alcance das ações no entorno dos lagos.
O coordenador também destacou o papel das prefeituras e equipes de assistência técnica: “Essa cooperação é fundamental para aproximar o projeto dos agricultores e garantir que as tecnologias cheguem de forma efetiva às propriedades”.
Potencial regional e impacto na vida dos produtores
O evento contou com diversas representações políticas e sociais. Para o prefeito de Paulo Afonso, Mário César Barreto Azevedo, o projeto tem sido um importante impulsionador do desenvolvimento agrícola da região, historicamente marcada por dificuldades.
“Nossa região tem um enorme potencial hídrico, agrícola e turístico. Durante muitos anos vimos o desenvolvimento acontecer em outras áreas do Vale do São Francisco, como Petrolina e Juazeiro. Projetos como esse ajudam a abrir novos caminhos para que também possamos crescer”, afirmou o prefeito.
Ele ressaltou ainda a necessidade de envolver as novas gerações na agricultura: “Precisamos fazer com que nossos jovens acreditem no potencial da terra e da agricultura irrigada. Esse projeto pode ajudar a construir esse futuro”.
Representando os agricultores beneficiados na Fase I do Projeto, o produtor Valmir Matos, de Canindé do São Francisco, no Alto Sertão sergipano, relatou o impacto real da iniciativa em sua vida. Segundo ele, o acesso à capacitação e à orientação técnica tem contribuído para melhorar a produção e ampliar as oportunidades para quem vive do campo.
Valmir também destacou a expectativa com a continuidade do projeto. “Espero que o Lagos do São Francisco siga avançando e possa beneficiar cada vez mais pessoas. O pequeno produtor enfrenta muitas dificuldades, e qualquer apoio faz diferença. Afinal, como diz um velho provérbio: se o campo não planta, a cidade não janta”.
Outro beneficiário do projeto, o produtor Valney Soares, que foi contemplado com um CAT voltado à produção de limão, também relatou os resultados obtidos. Segundo ele, o acompanhamento técnico foi fundamental para superar desafios iniciais de manejo e adaptação da cultura ao solo arenoso da propriedade.
“Além do limão, hoje também cultivo macaxeira e tomate. O mais gratificante é poder compartilhar o que aprendi com outros produtores; este é, sem dúvidas, um projeto que tem transformado a vida de todos aqui na região”.