Zucco articula com Flávio Bolsonaro avanço da pauta da securitização
A proposta busca reorganizar esses passivos com prazos longos
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A defesa da securitização das dívidas rurais deve ser levada diretamente ao senador Flávio Bolsonaro durante sua visita ao Rio Grande do Sul, marcada para 11 de abril. A articulação ganhou força na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS), onde produtores e lideranças do agro reforçaram o apelo por uma saída para o endividamento crescente no campo.
A mobilização ocorre em meio a um cenário de forte pressão financeira sobre o setor produtivo, agravado por perdas climáticas, juros elevados, aumento no custo dos insumos e redução das margens nas propriedades rurais. Na avaliação de representantes do setor, a securitização passou a ser uma medida urgente para evitar o aprofundamento da crise no campo.
Segundo o deputado federal Zucco (PL-RS), a pauta se tornou prioridade diante da dificuldade de milhares de produtores em honrar compromissos assumidos após sucessivas safras marcadas por seca, enchentes e oscilações de mercado. “A proposta busca reorganizar esses passivos com prazos longos e condições reais de pagamento, permitindo que os agricultores retomem sua capacidade produtiva”, afirmou.
Expodireto virou palco de mobilização do setor
Conhecida por reunir inovação, tecnologia e negócios do agronegócio, a Expodireto deste ano também assumiu um papel político. O evento se transformou em espaço de alerta e mobilização do setor produtivo, que passou a cobrar medidas concretas para enfrentar o avanço do endividamento rural.
Zucco destacou que, mesmo sob pressão, o produtor segue sustentando a economia brasileira. “O produtor rural brasileiro continua sendo o principal motor da economia nacional. Mesmo enfrentando seca, enchentes, custos elevados de insumos e juros altos, segue produzindo alimentos, gerando empregos e sustentando a balança comercial do país”, disse.
Ao mesmo tempo, o parlamentar afirmou que o ambiente econômico no campo se tornou cada vez mais desfavorável. “A realidade atual mostra que muitos agricultores estão sendo pressionados por um sistema econômico cada vez mais desequilibrado”, declarou.
Endividamento e custos ampliam pressão no campo
Além das dívidas acumuladas, outro ponto que pesa sobre a renda do produtor é a cobrança de royalties e taxas tecnológicas sobre a produção. De acordo com o artigo, em algumas cadeias essas cobranças já chegam a retirar até 7,5% do resultado da lavoura no momento da entrega do grão.
Esse cenário, somado ao impacto de eventos climáticos extremos e à elevação dos custos de produção, tem reduzido a capacidade de reação financeira de parte das propriedades. No campo, cresce a avaliação de que os mecanismos tradicionais de crédito já não são suficientes para responder ao tamanho da crise.
Pauta mira apoio político em Brasília
A expectativa do setor é que a visita de Flávio Bolsonaro ao Estado sirva para ampliar o alcance político da demanda e acelerar o debate em Brasília. A securitização é vista por produtores e lideranças como uma alternativa para reorganizar passivos e dar condições para a continuidade da atividade agropecuária.
Zucco lembrou que esse tipo de mecanismo já foi adotado anteriormente no país. “O modelo de securitização não é uma novidade. Ele já foi aplicado no Brasil na década de 1990 e foi fundamental para reestruturar o agro nacional naquele período”, afirmou.
Reforma tributária também preocupa
Durante a Expodireto, outro tema que entrou na pauta do setor foi o possível impacto da reforma tributária sobre a comercialização da produção. A possibilidade de novas cobranças, que podem ultrapassar 10%, aumentou a apreensão entre produtores que já operam com margens apertadas e alta exposição ao risco.
A avaliação entre representantes do agro é de que qualquer aumento adicional de custo pode comprometer ainda mais a sustentabilidade financeira das propriedades, especialmente em regiões afetadas por perdas recorrentes.