Preço do leite cai 21% em um ano e Cepea projeta novas quedas
Este é o sétimo mês consecutivo de recuos nas cotações ao produtor
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A cadeia láctea brasileira segue em trajetória de queda nos preços, conforme apontam dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Em outubro, o litro do leite foi negociado a R$ 2,2996 na Média Brasil, o menor valor desde o início do ano, representando uma queda de 5,9% frente a setembro e de 21,7% em relação a outubro de 2024, já descontada a inflação medida pelo IPCA.
Este é o sétimo mês consecutivo de recuos nas cotações ao produtor. No acumulado de 2025, a desvalorização real já atinge 14,1%. A tendência de baixa, segundo o Cepea, deve se manter até o fim do ano, sustentada pelo excedente de matéria-prima nas propriedades e pela demanda interna ainda enfraquecida.
A retração não se limita ao leite in natura. Levantamento do Cepea, com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), mostra que os derivados lácteos também registraram queda em novembro – o terceiro mês consecutivo de desvalorização. A combinação entre maior captação de leite e consumo retraído impôs pressão sobre os preços de itens como queijo e leite UHT.
Apesar da melhora no saldo da balança comercial de lácteos, os efeitos sobre os preços internos ainda são limitados. As importações caíram 14,9% em novembro, totalizando 182,98 milhões de litros em equivalente leite, enquanto as exportações cresceram 8,57%, somando 4,94 milhões de litros. Em relação ao mesmo mês de 2024, o déficit comercial foi reduzido, com queda de 12,69% nas importações e leve alta de 1,25% nas exportações.
O Custo Operacional Efetivo (COE) da produção leiteira aumentou 0,22% em novembro na média nacional, conforme cálculos do Cepea. Apesar da ração – principal item da dieta animal – ter apresentado nova queda, o avanço nos demais insumos compensou essa redução e elevou os custos totais.
O comportamento dos custos foi desigual entre os estados. As altas mais expressivas ocorreram no Rio Grande do Sul (+0,92%) e em Goiás (+0,67%), enquanto São Paulo (-0,67%) e Santa Catarina (-0,07%) apresentaram recuos no mês.
Com preços do leite e dos derivados em queda, margens pressionadas e custos em alta, o cenário segue desafiador para produtores e cooperativas. Embora a redução das importações e o leve crescimento das exportações tragam algum alívio, o excesso de oferta e a demanda enfraquecida devem manter o mercado desaquecido no curto prazo. Para os agentes da cadeia, o foco nos próximos meses será sobreviver à pressão até que os sinais de recuperação ganhem força.