Dívida recorde força empresas a mudar estratégia
A lógica vale tanto para bancos quanto para fornecedores
A lógica vale tanto para bancos quanto para fornecedores - Foto: Pixabay
Com a inadimplência em alta no Brasil, empresários têm buscado alternativas para evitar o colapso financeiro. Dados do Banco Central mostram que o índice chegou a 5,5% em janeiro de 2026, o maior nível desde 2017, indicando que o atraso no pagamento de empréstimos deixou de ser pontual e passou a fazer parte da rotina de muitas empresas.
Diante desse cenário, cresce a adoção da chamada renegociação proativa. A estratégia consiste em o empresário assumir o controle das finanças, entendendo detalhadamente suas dívidas e propondo aos credores um novo plano de pagamento, com prazos mais longos e parcelas ajustadas à realidade do caixa.
Segundo o contador João Victor Sasaki, empresas que demonstram organização e previsibilidade tendem a manter credibilidade mesmo em momentos de aperto. Em um ambiente de crédito mais restrito e caro, credores valorizam quem apresenta planejamento consistente, em vez de apenas pedir prazo.
A lógica vale tanto para bancos quanto para fornecedores, com foco em reduzir o peso mensal das dívidas e preservar o fluxo operacional. O ponto central, segundo especialistas, é garantir que os compromissos renegociados caibam no caixa recorrente da empresa, evitando novos desequilíbrios.
Mesmo assim, muitas empresas ainda recorrem à venda de ativos para gerar liquidez imediata. A prática pode aliviar o curto prazo, mas não resolve problemas estruturais. Sem reorganização interna, margens adequadas e capital de giro suficiente, o risco de voltar ao endividamento permanece elevado.
“A dor que está em alta hoje é justamente essa: muitas empresas até conseguem renegociar, mas continuam com operação desorganizada, margem baixa e capital de giro insuficiente. Sem correção interna, a dívida sai de um contrato e volta em outro”, concluiu.