Demanda externa pressiona fertilizantes em 2026
Os produtores tendem a adiar negociações
Os produtores tendem a adiar negociações - Foto: Canva
A demanda internacional tem sustentado a alta dos fertilizantes em 2026 e pressionado as relações de troca no Brasil. De acordo com a StoneX, empresa global de serviços financeiros, o movimento tem reduzido o poder de compra do produtor e tornado mais desafiadoras as decisões de aquisição de insumos neste início de ano.
Indicadores da consultoria apontam que são necessárias cerca de 36 sacas de milho para a compra de uma tonelada de ureia, cinco a mais do que no começo de 2026. No caso da soja, quase 29 sacas são exigidas para adquirir uma tonelada de MAP na primeira semana de fevereiro, também cerca de cinco sacas acima do observado no início do ano.
A valorização internacional dos fertilizantes está ligada à preparação de grandes consumidores para a temporada de adubação da primavera. Estados Unidos reforçam estoques para as aplicações no campo, enquanto a China amplia compras internas e reduz exportações, restringindo a oferta global. As negociações pontuais da Índia no mercado de nitrogenados também influenciam as cotações, especialmente diante da expectativa de novos certames de compra.
No mercado doméstico, com a janela da safrinha praticamente encerrada e um intervalo até a próxima safra de soja 2026/27, produtores tendem a adiar negociações. Ainda assim, o cenário indica manutenção de decisões complexas nos próximos meses. “Embora a demanda norte-americana e chinesa possa perder força em algum momento, o apetite comprador do Brasil e da Índia tende a crescer ao longo do ano, o que pode voltar a sustentar os preços”, avalia o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías.