Preço do trigo sobe no mercado brasileiro
Área de trigo pode recuar novamente no país
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Os preços do trigo registraram alta no mercado brasileiro na semana de 6 a 12 de março, segundo análise divulgada pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema). O movimento foi influenciado pela valorização internacional do cereal e pelo encarecimento do produto importado.
De acordo com o levantamento, nas principais praças do Rio Grande do Sul o valor da saca de 60 quilos passou de R$ 56 para R$ 58 ao longo do período analisado. No Paraná, as cotações foram registradas entre R$ 62 e R$ 65 por saca. A análise aponta que a elevação dos preços internacionais, especialmente do produto proveniente da Argentina, contribuiu para esse movimento no mercado doméstico.
O relatório indica que a valorização não foi maior devido ao comportamento do câmbio. Mesmo diante do conflito no Oriente Médio, o dólar permaneceu estável no Brasil, variando entre R$ 5,10 e R$ 5,25. Segundo a análise, um real mais valorizado reduz o custo das importações em moeda nacional.
A consultoria também aponta preocupação com a rentabilidade da cultura. Custos elevados de produção e incertezas climáticas podem levar a uma nova redução da área plantada em 2026 caso os preços não apresentem recuperação.
As primeiras projeções para a safra 2026/27 indicam recuo na produção nacional. A estimativa aponta queda de 14,5%, com volume previsto em 6,8 milhões de toneladas, considerando condições climáticas favoráveis. A área semeada deve alcançar 1,985 milhão de hectares, abaixo dos 2,349 milhões cultivados na safra 2025/26, o que representa redução de 15,5%. A produtividade média nacional está projetada em 3.453 quilos por hectare, ou 57,6 sacas por hectare, ante 3.414 quilos por hectare registrados na safra anterior.
Segundo análise citada no relatório, elaborada pela Safras & Mercado, “em relação aos níveis observados há quatro anos, a área plantada terá recuado mais de 40%, refletindo as dificuldades econômicas enfrentadas pelo produtor e a crescente competição com outras culturas de inverno”.
O levantamento também destaca a redução das importações brasileiras de trigo nos últimos meses. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que, em fevereiro, o país importou 214,7 mil toneladas do cereal, o menor volume para um único mês em 18 anos. O total ficou 63% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
A menor entrada de produto estrangeiro pode aumentar a liquidez no mercado interno. No início da semana, o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), registrou cotação de R$ 1.209,02 por tonelada para o trigo pão ou melhorador no Paraná, alta de 2,6% desde o início do mês. No Rio Grande do Sul, a tonelada do trigo brando foi cotada a R$ 1.091,60, recuo de 0,65% no mesmo período.