Queda da ureia acompanha alívio geopolítico
Apesar do recuo, o cenário ainda não configura uma tendência consolidada de baixa
Apesar do recuo, o cenário ainda não configura uma tendência consolidada de baixa - Foto: Canva
A recente redução das tensões no Oriente Médio já começa a refletir nos preços internacionais de fertilizantes, indicando um movimento de alívio no mercado global. As informações são de Alê Delara, estrategista do agronegócio.
As negociações envolvendo Estados Unidos e Irã contribuíram para a retirada de parte do prêmio de risco que vinha sendo incorporado às cotações, com impacto quase imediato nos contratos futuros. Nos últimos dias, a ureia apresentou recuos relevantes em diferentes regiões, com queda de 40 dólares por tonelada no Brasil, 35 dólares no Oriente Médio e 33 dólares nos Estados Unidos.
Dados da curva de futuros da ureia nos Estados Unidos reforçam esse movimento de ajuste. Os contratos mais recentes mostram queda consistente ao longo dos meses, com valores saindo da faixa próxima a 780 dólares por tonelada em abril para cerca de 656 dólares projetados para setembro. O comportamento indica uma reprecificação após um período de forte pressão altista, acompanhando a diminuição das incertezas no cenário internacional.
O movimento evidencia que, embora o Estreito de Ormuz continue no radar dos agentes de mercado, houve uma reavaliação do risco logístico e geopolítico no curto prazo. Esse reposicionamento levou à redução dos preços após um período em que as incertezas haviam elevado as cotações de forma significativa.
Apesar do recuo, o cenário ainda não configura uma tendência consolidada de baixa. Trata-se, neste momento, de uma correção rápida, motivada pela retirada parcial do prêmio de guerra que havia sido incorporado aos preços diante das tensões recentes.
A atenção do mercado agora se volta para o desdobramento das negociações internacionais. O comportamento dos preços dependerá do avanço efetivo dessas tratativas e da capacidade de manutenção de um ambiente mais estável, que possa reduzir de forma mais consistente os riscos associados à logística e à geopolítica.