Movimento inesperado faz preço do milho disparar na B3
O cenário internacional também permanece no radar dos agentes
O cenário internacional também permanece no radar dos agentes - Foto: Nadia Borges
O mercado de milho iniciou a semana com valorização nos contratos futuros negociados no país, mesmo em um cenário externo de pressão negativa. O movimento ocorreu apesar da queda observada nas referências internacionais e da variação cambial, refletindo principalmente a firmeza do mercado físico e a demanda ativa por parte de consumidores.
Segundo análise da TF Agroeconômica, os contratos do cereal na bolsa brasileira encerraram a segunda-feira em alta. O vencimento março de 2026 fechou cotado a R$ 72,45 por saca, com avanço diário de R$ 0,15 e ganho semanal de R$ 0,60. Já o contrato maio de 2026 terminou o dia a R$ 75,90 por saca, com valorização de R$ 1,07 na sessão e de R$ 4,39 na semana.
No mercado físico, levantamento do Cepea aponta continuidade da alta na região consumidora de Campinas, em São Paulo. Os preços são sustentados pela postura firme de vendedores e pela demanda aquecida, o que levou o Indicador ESALQ/BM&FBovespa a superar os R$ 70 por saca de 60 quilos, nível que não era registrado desde dezembro de 2025. Produtores seguem priorizando as atividades de campo ligadas à colheita da safra de verão e ao plantio da segunda safra, enquanto compradores buscam recompor estoques.
O cenário internacional também permanece no radar dos agentes. O recente conflito envolvendo Estados Unidos e Irã tem gerado atenção entre exportadores, já que o país asiático se tornou um importante destino do milho brasileiro. Em 2025, as importações iranianas alcançaram 9 milhões de toneladas, praticamente o dobro do volume do ano anterior, conforme dados da Secex.
No Sul do país, a colheita da primeira safra avança com bons rendimentos, ampliando a oferta do cereal. No Rio Grande do Sul, o trabalho de campo já alcança 79% da área, enquanto Santa Catarina registra 46,6% e o Paraná chega a 54%. Apesar da boa produtividade em diversas regiões, as negociações seguem lentas devido ao desalinhamento entre preços pedidos por vendedores e ofertas de compradores. Em Mato Grosso do Sul, o plantio da safrinha enfrenta dificuldades com a falta de umidade, fator que começa a influenciar o ritmo das lavouras.