Passagens aéreas podem ficar mais caras em 2026
Companhias perdem o poder de negociação frente à volatilidade dos preços
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Quem planeja viajar de avião nos próximos meses pode perceber mudanças no preço das passagens — e a explicação começa bem longe do Brasil. A raiz do problema está no conflito internacional no Oriente Médio que fez o barril de petróleo saltar de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115, desencadeando uma série de reajustes que percorrem a cadeia produtiva até chegar, ao preço do bilhete aéreo.
Nesta quarta-feira (01.04), o novo preço do querosene de aviação (QAV) da Petrobras entrou em vigor e representa o maior reajuste registrado em um único mês no setor de aviação civil brasileiro em anos recentes. Diferentemente de outros setores que conseguem migrar para insumos alternativos quando um preço dispara, o querosene de aviação é insubstituível nos modelos atuais de aeronaves. E com isso, as companhias perdem o poder de negociação frente à volatilidade dos preços. Com o aumento expressivo, a tendência é de repasse ao consumidor final, principalmente em rotas mais sensíveis à variação do combustível, o efeito pode ser imediato, com tarifas mais caras e menor flexibilidade operacional das empresas.

Além disso, as passagens aéreas compõem o cálculo do IPCA, o índice oficial de inflação do Brasil. Uma alta nas tarifas — especialmente em períodos de férias e feriados — tende a pressionar o indicador de transportes nos próximos meses, o que coloca mais um desafio para a política monetária num momento já delicado para a economia doméstica.
O que pode ser feito
Antecipar a compra de passagens é uma estratégia relevante neste cenário: os preços tendem a subir progressivamente à medida que as aéreas ajustam suas tarifas dinâmicas. Rotas com menor concorrência — especialmente regionais — são as que devem registrar alta mais acentuada ou simplesmente deixar de existir na grade de voos.