Menor oferta altera logística de grãos no Maranhão
Milho do Maranhão ganha fluxo logístico no fim do ano
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O Boletim Logístico Ano IX, referente a janeiro de 2026 e divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na segunda-feira (26), aponta alterações pontuais na logística de grãos no Maranhão, influenciadas pela menor oferta de soja e milho e pela priorização do plantio dessas culturas no estado. Segundo o documento, foi identificado o transporte de milho para o município de Balsas, no sul maranhense, em função da demanda da biorrefinaria instalada na região. Também houve, em menor escala, movimentação do grão para os estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
De acordo com o boletim, esse cenário resultou em fretes com “pequenas variações”, registrando aumentos ou reduções pontuais nos preços. No que se refere aos combustíveis, levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que, em dezembro de 2025, o preço médio de revenda do diesel S-10 no Maranhão foi de R$ 5,97 e do diesel comum, R$ 6,00, permanecendo “estáveis, com variações menores do que 1%” em relação ao mês anterior.
Os dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, indicam que as exportações de soja produzida no Maranhão totalizaram 38,6 mil toneladas em dezembro de 2025, volume 82% inferior ao registrado no mês anterior. A queda é atribuída à entressafra e à redução dos estoques, embora o resultado tenha sido 7% superior ao de dezembro de 2024, reflexo da maior produção da safra 2024/25. Os embarques ocorreram pelo Porto do Itaqui, com destino à China e à Espanha.
No caso do milho, foram exportadas 10,19 mil toneladas no mesmo período, patamar superior ao triplo do volume embarcado no mês anterior, em razão da maior disponibilidade em estoque no fim do ano. Ainda assim, o total foi 88,71% menor do que o registrado em dezembro de 2024. As exportações tiveram como destino o Egito, também via Porto do Itaqui.
O boletim destaca o desempenho operacional do Porto do Itaqui em 2025, que se consolida como um dos principais corredores logísticos do agronegócio brasileiro no Arco Norte, atendendo produtores do Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e do Nordeste do Mato Grosso. Conforme dados do Consórcio Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), passaram pelo terminal 202 navios e 13,5 milhões de toneladas de grãos ao longo do ano, sendo 11,7 milhões de toneladas de soja e 1,8 milhão de toneladas de milho, destinados principalmente aos mercados da Ásia e da Europa.
Atualmente, o Tegram opera com quatro armazéns, que somam capacidade estática de 500 mil toneladas e permitem movimentar até 15 milhões de toneladas por ano. Há previsão de ampliação da capacidade operacional nos próximos anos, com aumento de 8,5 milhões de toneladas anuais, por meio da terceira fase de expansão e da operação de um terceiro berço de atracação, com o objetivo de atender à crescente produção agrícola e à demanda do agronegócio brasileiro.