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Sobretaxa chinesa à carne bovina pode frear investimentos no Brasil

Medida visa proteger a produção local


Foto: Divulgação

A partir de 1º de janeiro de 2026, a carne bovina brasileira exportada à China que ultrapassar a cota de 1,1 milhão de toneladas será sobretaxada em 55%. A medida visa proteger a produção local e impõe desafios significativos à pecuária brasileira.

A decisão da China de aplicar uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira que exceder a cota anual de 1,1 milhão de toneladas promete redesenhar o mapa das exportações do setor a partir de 2026. Até esse limite, permanece a tarifa atual de 12%. Em 2025, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas ao país asiático — o que, nos novos moldes, significaria que 600 mil toneladas estariam sujeitas ao imposto majorado.

Segundo artigo do engenheiro agrônomo José Otávio Menten, professor sênior da USP/ESALQ e presidente do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), a medida se estende a outros grandes exportadores — Argentina, Uruguai, EUA e Austrália — e reflete uma política estratégica da China para proteger e estimular seus pecuaristas.

O impacto para o Brasil é significativo. A China é o destino de 48% da carne bovina exportada pelo país, que é o maior produtor global, com 12,4 milhões de toneladas, e o segundo maior exportador. As carnes representam 18% das exportações do agronegócio brasileiro, sendo superadas apenas pelo complexo soja. Além disso, 31% das exportações totais do setor têm como destino o mercado chinês.

Ainda que setores do mercado nacional já prevessem a introdução de cotas e tarifas, a decisão exige resposta coordenada entre governo e entidades setoriais. A atuação conjunta de ABIEC, CNA, MAPA, Itamaraty e MDIC será fundamental para mitigar perdas e negociar ajustes. O adido agrícola brasileiro na China também deve intensificar o diálogo comercial bilateral.

O consumo de carne bovina na China continua em alta e responde por cerca de 7,8 milhões de toneladas anuais — das quais 30% são importadas. O governo chinês aposta em maior autossuficiência como forma de controlar preços e reduzir dependência externa, embora a mudança possa provocar inflação local e distorções no mercado.

Com a nova barreira tarifária, o Brasil pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a medida ou negociar ampliação da cota. Ao mesmo tempo, reforça-se a necessidade de diversificação dos destinos das exportações — uma estratégia urgente diante da alta concentração no mercado chinês.

 

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