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Murcha de fusarium no algodão: quais áreas têm maior risco da doença

Cenário acende o alerta para o planejamento da safra


Foto: Canva

Áreas com histórico de murcha de fusarium, solo compactado, drenagem deficiente e acidez elevada devem concentrar o maior risco da doença no algodão entre novembro de 2025 e abril de 2026. O cenário acende o alerta para o planejamento da safra, especialmente na definição de cultivares, rotação e manejo do solo.

A murcha de fusarium é uma doença de solo de difícil erradicação e pode permanecer na área por muitos anos. Causada por Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum (FOV), ela encontra ambiente favorável em sistemas intensivos de produção, sobretudo quando há repetição do algodão na sucessão, pouca rotação com espécies não hospedeiras e condições físicas desfavoráveis ao desenvolvimento radicular. O fungo sobrevive por longos períodos no solo por meio de estruturas de resistência, os clamidósporos, o que dificulta o controle e amplia a importância de medidas preventivas. Em vez de eliminar o patógeno, o objetivo do manejo é reduzir o risco de surtos e limitar a intensidade da doença ao longo das safras.

No campo, os sintomas mais comuns incluem murcha, amarelecimento, desenvolvimento desuniforme, seca prematura e, em casos mais severos, morte de plantas. Um dos sinais que ajudam na diferenciação é o escurecimento vascular no caule ou na raiz principal. Ainda assim, o problema pode ser confundido com deficiência hídrica, nematoides ou outras doenças vasculares, o que reforça a importância do diagnóstico correto.

Entre os fatores que mais elevam o risco, o histórico da área aparece como um dos principais. Talhões com reboleiras recorrentes e registros anteriores da doença tendem a manter alto nível de inóculo, mesmo após períodos sem algodão. Além disso, o patógeno pode ser disseminado dentro da propriedade por solo aderido a máquinas, implementos, pneus e calçados, além de enxurradas e movimentações de terra.

As condições físicas do solo também pesam na expressão da doença. Solos compactados, com baixa aeração e sujeitos a encharcamentos temporários, favorecem o estresse radicular e aumentam a suscetibilidade das plantas à infecção. Áreas de baixada, com drenagem superficial deficiente ou lençol freático mais raso, entram no grupo de maior vulnerabilidade.

No aspecto químico, solos muito ácidos, com baixa saturação por bases e maior presença de alumínio, agravam o problema ao comprometer o desenvolvimento das raízes. Em contrapartida, áreas bem corrigidas, com equilíbrio de pH e melhor disponibilidade de cálcio e magnésio, tendem a oferecer condições mais favoráveis para a tolerância da cultura.

Outro ponto de atenção é o uso repetido de cultivares suscetíveis em áreas já problemáticas. Segundo o conteúdo, mesmo materiais com algum nível de tolerância podem apresentar sintomas quando a pressão de inóculo é alta e o ambiente favorece o fungo. A sucessão frequente com algodão e a rotação limitada também contribuem para elevar gradualmente a população do patógeno no solo.

Os impactos produtivos não se restringem às reboleiras. A doença pode reduzir o estande, derrubar o número de maçãs por planta, provocar desuniformidade de maturação e elevar os custos de manejo. Em áreas com alta pressão, o problema pode comprometer a viabilidade econômica do algodão no médio prazo, caso não haja adoção de manejo integrado.

Para classificar os talhões em baixo, médio ou alto risco, a recomendação é reunir histórico fitossanitário, mapas de produtividade, análises físicas e químicas do solo e, sempre que possível, diagnóstico laboratorial. A partir desse conjunto de informações, o produtor consegue definir onde intensificar a rotação, reforçar a correção do solo e priorizar cultivares mais tolerantes.

Sem uma solução única e com limitações no manejo químico, o controle da murcha de fusarium depende de estratégias combinadas. Entre elas estão a descompactação do solo quando tecnicamente indicada, a melhoria da drenagem, a rotação com culturas não hospedeiras, o manejo de plantas daninhas hospedeiras e a higienização de máquinas e implementos.

 

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