Visita à Unidade debate oportunidades de parceria em canola
Embrapa e Nufarm unem esforços para fortalecer a cadeia produtiva da canola no Brasil
Foto: Pixabay
A Embrapa Agroenergia recebeu, no último dia 7, representantes da Nufarm para uma agenda voltada à apresentação das competências da Unidade e à discussão de oportunidades de parceria em pesquisa, desenvolvimento e inovação na cadeia da canola. Participaram da reunião Ronan Moreira, CEO da Nufarm, e Gustavo Almeida, líder de P&D da empresa, além do chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Bruno Laviola, e dos pesquisadores Agnaldo Chaves, Alexandre Cardoso, Clenilson Rodrigues e Rosana Guiducci.
A visita reforça o interesse mútuo em aproximar capacidades científicas e demandas do setor produtivo em um momento em que a canola ganha relevância no Brasil, tanto como alternativa para diversificação dos sistemas agrícolas quanto como matéria-prima estratégica para a produção de óleo, proteína e biocombustíveis em bases sustentáveis. A Embrapa Agroenergia tem atuado em PD&I voltada às cadeias da bioeconomia, com foco em gerar tecnologias para ampliar a eficiência, a sustentabilidade e a agregação de valor a biomassas e matérias-primas renováveis.
A Nufarm é uma empresa global com atuação em proteção de cultivos e tecnologias de sementes. No Brasil e na América do Sul, sua plataforma de sementes opera por meio da marca Nuseed, com portfólio que inclui culturas como canola, carinata, sorgo e girassol. Globalmente, a companhia também vem posicionando a carinata como matéria-prima para biocombustíveis de baixo carbono e a canola ômega-3 como uma solução de base vegetal para os mercados de nutrição humana e animal.
Ao apresentar a estratégia da empresa, Gustavo Almeida destacou que a América do Sul reúne condições muito favoráveis para o avanço dessas culturas. “A América do Sul oferece um ambiente extremamente promissor para o desenvolvimento da canola e da carinata, especialmente quando observamos fatores como clima, janela de cultivo e potencial de integração com sistemas produtivos já estabelecidos. Em comparação a outros países, o Brasil apresenta condições mais favoráveis em vários ambientes, como opção de segunda safra, o que amplia as oportunidades de desenvolvimento e validação de materiais. A empresa está decidida a ampliar seus investimentos no Brasil, que ocupa posição estratégica nesse movimento”, afirmou.
Ronan Moreira ressaltou que a companhia busca fortalecer sua presença em pesquisa e inovação no País. “Estamos trabalhando para consolidar uma estrutura mais robusta de inovação na América do Sul, com foco em acelerar o desenvolvimento de variedades e ampliar nossa capacidade de interação com parceiros. A região de Uberlândia, em Minas Gerais, surge como uma localização muito interessante por sua conexão com diferentes cadeias produtivas e por sua posição estratégica em relação a importantes fronteiras agrícolas brasileiras”, disse.
Ao apresentar a Embrapa Agroenergia, Bruno Laviola explicou que a Unidade tem papel estratégico na conexão entre a produção agropecuária e a indústria de base renovável. “A Embrapa Agroenergia atua justamente nessa interface entre agricultura, bioeconomia e transição energética. Trabalhamos para transformar biomassa e matérias-primas renováveis em soluções tecnológicas para biocombustíveis e bioprodutos, sempre com foco em sustentabilidade, competitividade e geração de valor para o País. No caso da canola, nosso trabalho busca não apenas viabilizar o cultivo em novas regiões, mas também estruturar uma cadeia produtiva capaz de dialogar com as demandas da indústria e com os desafios da agricultura brasileira”, afirmou.
Bruno destacou, em seguida, os avanços do programa de tropicalização da canola conduzido pela Unidade. Segundo ele, a cultura tem potencial para contribuir para a intensificação sustentável dos sistemas agrícolas, especialmente pela possibilidade de ampliar a produção de óleo e proteína vegetal por área ao longo do ano. “A canola pode desempenhar um papel muito relevante na diversificação e intensificação sustentável da agricultura brasileira. Estamos falando de uma cultura com grande potencial para compor sistemas produtivos mais eficientes, gerar renda ao produtor, ampliar a oferta de óleo vegetal de qualidade e fortalecer a base de matérias-primas para biocombustíveis. Mas esse avanço depende diretamente de pesquisa, desenvolvimento e inovação, tanto para disponibilizar novas cultivares adaptadas quanto para aperfeiçoar sistemas de cultivo ajustados às diferentes realidades do Brasil”, explicou.
O chefe-adjunto também enfatizou que o crescimento da cultura no País exige articulação entre genética, manejo, transferência de tecnologia e conexão com o mercado. “Não basta apenas desenvolver materiais promissores. É preciso consolidar um sistema de produção tecnicamente robusto, dar segurança ao agricultor, avançar em transferência de tecnologia e construir, em paralelo, os elos industriais e comerciais da cadeia. É essa visão integrada que tem orientado a atuação da Embrapa Agroenergia com a canola”, acrescentou.
Outro destaque da apresentação foi o projeto Procanola, que buscou o desenvolvimento da cadeia produtiva da canola no Distrito Federal e Entorno, em parceria com a Cooperativa Agrícola do Rio Preto (Coarp). A iniciativa teve foco na diversificação de cultivos com a canola no Distrito Federal e já contribuiu para validar o cultivo da espécie na região, com resultados de produtividade superiores à média nacional em áreas acompanhadas pelo projeto, além do lançamento do aplicativo Mais Canola, ferramenta criada para apoiar produtores na condução da cultura.
Ao tratar das possibilidades de parceria com a iniciativa privada, Bruno apresentou ainda o modelo Embrapii como instrumento relevante para o codesenvolvimento de tecnologias com empresas. “A Embrapii é hoje uma alternativa muito importante para acelerar inovação com o setor produtivo, porque oferece um ambiente mais ágil para desenvolver soluções de interesse comum, compartilhando riscos e aproximando a pesquisa da aplicação prática. Para cadeias em consolidação, como a da canola em novas fronteiras agrícolas, esse tipo de instrumento pode ser decisivo para transformar conhecimento em inovação de fato”, afirmou. A Embrapa Agroenergia mantém atuação reconhecida nesse modelo de inovação aberta e codesenvolvimento com empresas.
Na sequência, os pesquisadores da Unidade apresentaram frentes de trabalho com potencial de conexão com os interesses da empresa. Alexandre Cardoso falou sobre o Inventário do Ciclo de Vida do cultivo da canola na região Sul do Brasil, destacando a importância das métricas de sustentabilidade para qualificar a inserção da cultura em mercados cada vez mais exigentes. Agnaldo Chaves apresentou resultados sobre o efeito da aplicação de bioinsumos e de diferentes períodos de adubação nitrogenada em canola cultivada no Cerrado, além do projeto Eficácia agronômica de extratos de macroalgas na mitigação de estresse hídrico em canola, evidenciando o esforço da Unidade em gerar soluções para maior resiliência e desempenho agronômico da cultura.
Clenilson Rodrigues apresentou reflexões sobre as oportunidades de agregação de valor à biomassa e aos resíduos, com destaque para o desenvolvimento de bionematicida à base de extratos de carinata. Encerrando a rodada de apresentações, Rosana Guiducci falou sobre o projeto MapCanola – Mapeamento do potencial de expansão da canola como cultura de segunda safra no Brasil: análise de cenário e de sustentabilidade, iniciativa voltada a subsidiar a tomada de decisão com base em inteligência territorial, identificação de oportunidades regionais e avaliação da sustentabilidade da cadeia produtiva.
Ao final do encontro, ficou sinalizado o interesse das duas instituições em aprofundar o diálogo. A expectativa é que novas reuniões ocorram em breve para avaliar agendas concretas de cooperação, com foco em pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento da cadeia da canola no Brasil.