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Algodão em pluma mantém preços estáveis

Comercialização no mercado interno segue sem impulso


Foto: Pixabay

A projeção oficial para a safra brasileira de algodão 2025/26 aponta um recuo na produção, mesmo com o país ainda em patamar historicamente elevado. Dados divulgados pela Conab indicam volume de 3,8 milhões de toneladas, o que representa queda de 6,7% frente à temporada anterior, mas ainda coloca a colheita como a segunda maior da história.

O ajuste, segundo a Conab, vem de duas frentes: a área cultivada deve diminuir 3,2%, para 2,018 milhões de hectares, e a produtividade tende a ser menor, com estimativa de 1.884 kg/ha, retração de 3,6% em relação ao ciclo 2024/25. Ou seja, menos hectares e rendimento inferior explicam a revisão para baixo, apesar do tamanho ainda expressivo da produção.

Enquanto esse cenário é desenhado no campo, a comercialização no mercado interno segue sem impulso. Segundo dados divulgados pelo Cepea, o spot de algodão em pluma continua marcado por estabilidade de preços, em um ambiente de equilíbrio entre oferta e demanda — equilíbrio que, na prática, também limita o avanço da liquidez.

Do lado vendedor, a disponibilidade não muda de forma relevante, mas a postura de parte dos ofertantes permanece firme, especialmente quando há lotes de qualidade superior. Isso cria um ambiente em que existe produto, porém a disposição para ceder em preço é menor, reduzindo o número de fechamentos.

Pelo lado comprador, a demanda também não apresenta mudanças significativas. Pesquisadores do Cepea destacam que o recesso de carnaval pesou no ritmo das transações: por fatores logísticos, alguns agentes preferiram deixar negociações para depois, o que contribuiu para o mercado atravessar o período com menor circulação de negócios.

Além disso, conforme o Cepea, empresas do setor acompanham com atenção o desempenho de venda de seus manufaturados, que em diversos casos segue abaixo das expectativas. Essa leitura reforça a cautela e ajuda a explicar por que, mesmo com preços firmes, o mercado não ganha velocidade no curto prazo.

No campo, os cotonicultores estão na reta final da semeadura da safra 2025/26, etapa que fecha o desenho da temporada e mantém o setor atento aos próximos capítulos: a evolução da lavoura e a resposta da demanda industrial. Com produção prevista menor e negociações ainda contidas, a tendência é de que o mercado siga buscando sinais mais claros para destravar maior volume no spot.

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