Lagarta-rosca preocupa no milho e risco de resistência cresce
Cenário preocupa pela perda gradual de eficiência das ferramentas de controle
Foto: Arquivo
A lagarta-rosca voltou a ganhar espaço entre as preocupações dos produtores de milho por causa dos danos provocados logo no início da lavoura e do avanço do risco de resistência a Inseticidas e ao uso contínuo de tecnologias Bt. A praga ataca as plântulas ainda nos primeiros estádios da cultura, compromete o estande e pode elevar os custos de produção quando o controle perde eficiência.
O problema é mais frequente em áreas com plantio direto, alta presença de palhada e sucessão de gramíneas, condições que favorecem o abrigo e a sobrevivência das lagartas no solo. Nesses ambientes, o ataque costuma ocorrer de forma silenciosa: durante o dia, a praga permanece escondida sob torrões, restos culturais ou no solo; à noite, corta as plantas próximas à superfície.
O efeito na lavoura aparece rápido. As plantas tombam, murcham ou simplesmente desaparecem em reboleiras, abrindo falhas no estande justamente na fase em que o milho é mais sensível. Em situações mais severas, o produtor pode ser levado ao replantio, com impacto direto sobre o custo, a desuniformidade da área e o potencial produtivo da safra.
Além do dano imediato, o cenário preocupa pela perda gradual de eficiência das ferramentas de controle. O uso repetido dos mesmos grupos químicos, como piretroides e organofosforados, aliado à adoção sucessiva de híbridos Bt sem manejo adequado de refúgio, aumenta a pressão de seleção sobre a praga. Na prática, isso significa abrir espaço para que indivíduos menos sensíveis sobrevivam e se multipliquem, tornando o controle mais difícil ao longo do tempo.
Esse processo não costuma ser percebido de uma safra para outra, mas seus efeitos se acumulam. Quando a resistência avança, cresce a necessidade de intervenções, os custos sobem e o produtor passa a conviver com respostas cada vez menos consistentes no campo. O resultado é um sistema mais caro, mais vulnerável e mais dependente da substituição de tecnologias.
Diante desse quadro, o manejo da lagarta-rosca deixou de ser uma questão restrita ao controle químico e passou a exigir uma estratégia mais ampla. O monitoramento desde a emergência da cultura, a verificação de plantas cortadas e a confirmação da presença da praga no solo são apontados como passos essenciais para evitar aplicações desnecessárias e orientar decisões mais precisas.
A recomendação técnica também passa pela rotação de modos de ação dos inseticidas, pelo uso criterioso do milho Bt e pela adoção de áreas de refúgio, medida considerada central para retardar a evolução da resistência. A lógica é preservar populações suscetíveis e reduzir a velocidade com que a praga se adapta às ferramentas disponíveis.
No campo, práticas culturais também ganham peso. O manejo antecipado de plantas daninhas, a rotação de culturas, o cuidado com o excesso de palhada e a atenção ao histórico dos talhões ajudam a diminuir a pressão inicial da praga e reduzem a dependência de soluções isoladas.
O alerta é claro: a lagarta-rosca continua sendo uma praga de alto impacto na implantação do milho, mas o maior risco está em insistir nas mesmas respostas para um problema que já mostra sinais de mudança. Para o produtor, o desafio agora não é apenas conter o ataque, mas preservar a eficiência das tecnologias ainda disponíveis e evitar que a resistência transforme um problema recorrente em prejuízo permanente.