CI

Soja catarinense tem mercado estável e boas perspectivas

Cotações externas sustentam mercado da soja


Foto: Pixabay

O mercado da soja mantém sinais de estabilidade para os produtores de Santa Catarina, mesmo diante da pressão típica do período de colheita no país. Em fevereiro, o preço médio ao produtor foi de R$ 117,09 por saca, recuo de 3,7% em relação ao mês anterior, movimento associado à entrada de uma safra maior no mercado interno. Os dados constam no Boletim Agropecuário de março, elaborado pelo Epagri/Cepa, que reúne informações sobre produção, preços, clima e mercado no estado.

No cenário internacional, as cotações apresentaram comportamento distinto. Na Bolsa de Chicago, os preços da soja avançaram em fevereiro e no início de março, impulsionados pela valorização do petróleo e do óleo de soja, em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio. Esse movimento manteve as cotações acima de US$ 12 por bushel, patamar observado pela última vez em maio de 2024.

Segundo o analista da Epagri/Cepa, Haroldo Tavares Elias, o aumento da oferta interna pressiona os preços no Brasil, enquanto o mercado externo segue outra dinâmica. “Neste cenário externo, porém o movimento é distinto, pois as tensões no Oriente Médio elevaram o preço do petróleo o que tornou o óleo de soja uma alternativa para a composição de biocombustíveis”, afirma.

Ainda de acordo com o boletim, a variação de preços no estado ocorre de forma gradual. Nos últimos 30 dias, a queda foi de 3,0%, enquanto no acumulado de 12 meses a retração chegou a 3,4%, indicando ajuste sem oscilações acentuadas no mercado catarinense.

O relatório também aponta a retomada de posições compradas por fundos de investimento no mercado internacional, o que contribui para a sustentação das cotações. Além disso, o mercado acompanha os relatórios do USDA, que indicam estoques globais confortáveis, mas mantêm a atenção sobre fatores geopolíticos e energéticos.

No campo, as lavouras apresentam condições favoráveis. Até o início de março, 83% das áreas estavam em boas condições, com a colheita avançando dentro do esperado. Episódios localizados de estiagem, segundo o levantamento, não comprometem o desempenho geral da produção.

O conjunto de fatores indica um período de acomodação no mercado, com sustentação baseada na demanda internacional, na valorização de derivados e no andamento das lavouras no estado.

Elias também destaca que houve redução na área plantada nesta safra, mas a produção segue suficiente para atender o consumo interno. “Santa Catarina é autossuficiente em soja. Mesmo que não fosse, não haveria risco de desabastecimento, já que o Estado está entre o Paraná e o Rio Grande do Sul, dois grandes produtores capazes de suprir eventuais demandas do mercado catarinense. A situação é diferente no caso do milho. O Estado não é suficiente na produção e precisa buscar cerca de 6 milhões de toneladas fora do território catarinense, oriundas principalmente do Centro-Oeste ou do Paraguai”, afirma.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7