O que está por trás do boom dos biológicos
Outro ponto central dessa mudança é a valorização do microbioma do solo
Outro ponto central dessa mudança é a valorização do microbioma do solo - Foto: Divulgação
O avanço dos insumos biológicos vem redesenhando as bases da produção agrícola em escala global. Segundo dados da Grand View Research, esse mercado, hoje estimado em cerca de 12 bilhões de dólares, pode ultrapassar 19 bilhões até 2033, indicando não apenas crescimento, mas uma mudança estrutural no setor.
De acordo com a engenheira agrônoma Rejanne Ribeiro, mestre em Proteção de Plantas, essa transformação já está em curso e vai além da comparação tradicional entre biológicos e químicos. O que se observa é uma redefinição mais profunda do papel desses insumos dentro dos sistemas produtivos.
Nesse novo cenário, os biológicos deixam de ser utilizados de forma isolada e passam a integrar sistemas agronômicos mais amplos, combinando soluções biológicas, químicas e genéticas. Movimentos recentes da indústria reforçam essa tendência, apontando para uma agricultura mais integrada e orientada por eficiência sistêmica.
Outro ponto central dessa mudança é a valorização do microbioma do solo como ativo estratégico. Com o avanço de tecnologias como o sequenciamento genético e a análise de dados, tornou-se possível compreender com maior precisão a dinâmica microbiana na rizosfera. Isso amplia o foco do manejo, que deixa de se concentrar apenas em nutrientes e moléculas e passa a incorporar a biologia como fator determinante para a produtividade.
Além dos aspectos tecnológicos, há também uma transformação cultural em curso. A convergência entre áreas como microbiologia, fisiologia vegetal e ecologia começa a influenciar diretamente as decisões agronômicas e os modelos de negócio no campo.
Nesse contexto, a discussão deixa de se limitar ao desenvolvimento de novos produtos e passa a envolver a construção de sistemas agrícolas mais complexos, baseados na biologia aplicada. A perspectiva é de que o futuro da produtividade esteja menos associado à descoberta de novas moléculas ou microrganismos isolados e mais à capacidade de compreender e manejar sistemas biológicos de forma integrada.