Foto: Pixabay
A análise “Direto do Campo”, divulgada nesta segunda-feira (23) pela Grão Direto com dados da Grainsights, aponta que o mercado internacional de milho ajusta suas posições diante da expectativa para o relatório de intenção de plantio (Prospective Plantings) do USDA, previsto para 31 de março. “As projeções indicam um forte recuo na área plantada dos EUA”, informa o relatório, destacando que a redução responde aos altos custos de insumos e pode dar suporte aos preços no médio prazo.
A safra 2026/27 também entra no radar com preocupações relacionadas ao custo de produção. “O bloqueio de rotas no Oriente Médio acende um alerta vermelho de extrema gravidade para a matriz de custos da próxima safra”, aponta a análise. Segundo o documento, o Irã responde por cerca de 10% das exportações globais de ureia, enquanto o Oriente Médio concentra 25% da oferta mundial, o que pode pressionar os preços dos fertilizantes nitrogenados, especialmente para o Brasil, que importa parte relevante desse insumo da região.
Pelo lado da demanda, o fluxo das exportações brasileiras pode ser afetado pelo cenário geopolítico. “A escalada do conflito ameaça diretamente o fluxo das exportações brasileiras de milho”, afirma o relatório, ao destacar que o Irã é um dos principais compradores do cereal brasileiro. De acordo com a análise, eventuais restrições logísticas no Golfo Pérsico podem represar a oferta no mercado interno, pressionando as cotações.
No campo, as condições climáticas para a safrinha 2026 são apontadas como determinantes. “O clima de abril será decisivo para a safrinha recém-implantada”, diz o documento, ressaltando que parte das áreas foi plantada fora da janela ideal. Nesse cenário, a manutenção de chuvas regulares é considerada essencial para o desenvolvimento das lavouras, enquanto a irregularidade hídrica pode comprometer o potencial produtivo.
No ambiente macroeconômico, a valorização do dólar também influencia o mercado. “A forte escalada do dólar, que rompeu a marca de R$ 5,30, traz um fôlego importante para os preços dos grãos em reais”, aponta a análise. O relatório destaca ainda que a volatilidade cambial deve permanecer elevada com a divulgação de indicadores econômicos e decisões de política monetária, reforçando a necessidade de atenção dos produtores aos custos de produção e às oscilações do mercado.