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Fevereiro a maio: janela para identificar podridão da bainha no arroz

Doença que cresce em silêncio


Foto: coniferconifer

A podridão da bainha do arroz dá sinais de alerta justamente quando o produtor mais precisa de previsibilidade: entre fevereiro e maio, período em que muitas áreas estão com o dossel mais fechado e a umidade dentro da cultura tende a subir. Nesse cenário, identificar os primeiros sintomas é decisivo para reduzir perdas e organizar o manejo integrado antes que a doença se espalhe em reboleiras e comprometa estruturas essenciais da planta.

A preocupação não é apenas com a aparência das folhas. Doenças que atacam bainha e colmo podem evoluir rápido em ambientes favoráveis e, quando avançam, encurtam o tempo de reação do manejo no campo. A Embrapa descreve que a queima da bainha (associada a Rhizoctonia solani) é uma enfermidade importante por iniciar em bainhas e colmos e se intensificar sob condições favoráveis, com potencial de causar seca de folhas e perdas quando severa. Já a podridão da bainha, causada por Sarocladium oryzae, é destacada em publicações técnicas por seu impacto e associação a sintomas em bainhas, sobretudo em fases mais avançadas do ciclo, dependendo do ambiente e do manejo.

O ponto de partida ajuda a separar o que é “suspeita de bainha” do que é doença tipicamente foliar. Em geral, quando as lesões surgem na bainha — a estrutura que envolve o colmo, na base das folhas — o produtor deve aumentar o nível de alerta, porque esse padrão é descrito como característico em doenças do complexo de bainha e colmo. A Embrapa orienta que a avaliação dessas enfermidades deve priorizar justamente bainhas e colmos, onde os sintomas iniciam e de onde podem progredir para outras partes da planta.

Sintomas iniciais: o que observar quando ainda é foco pequeno

Nos primeiros estágios, o sintoma pode parecer discreto — e é exatamente por isso que passa despercebido. Em materiais técnicos, lesões associadas a doenças de bainha são frequentemente descritas como manchas com formato ovalado/elíptico, com contraste de coloração (centro mais claro e bordas mais escuras, variando com a evolução). O padrão de avanço costuma acompanhar o microclima: quanto mais umidade e fechamento do dossel, maior a chance de progressão e coalescência das lesões.

Outro sinal típico no campo é a ocorrência em manchas (reboleiras). Em arroz irrigado, a combinação de ambiente úmido, densidade de plantas e condições de irrigação favorece a formação de focos que crescem em “ilhas” e podem se conectar ao longo dos dias.

Diferença em relação a outras doenças foliares

- A distinção mais útil no começo é posição e padrão:

- Doenças de bainha/colmo: começam na bainha e/ou colmo, tendem a formar reboleiras e evoluem rápido em ambiente úmido e dossel fechado.

Doenças foliares: em geral aparecem primeiro na lâmina foliar, com padrões próprios de lesão e distribuição.

- Quando há dúvida, a recomendação prática é registrar o foco (fotos e localização) e buscar apoio técnico para confirmar o diagnóstico — porque a escolha do manejo depende de acertar o agente e o momento de ação.

Como organizar o monitoramento para identificar focos precoces (fevereiro a maio)

A diferença entre ver cedo e ver tarde, na maioria das vezes, está no método. Um monitoramento eficiente precisa ser repetível, rápido e focado em áreas de risco.

1) Defina o momento das vistorias
Entre fevereiro e maio, priorize inspeções após períodos de maior umidade, mudanças no manejo de água e momentos de dossel mais fechado — condições que aumentam o risco de doenças de bainha ganharem velocidade.

2) Comece pelos pontos com maior chance de foco
Bordas mais adensadas, baixadas, áreas com histórico de ocorrência e locais onde o vigor se destaca no talhão devem entrar no topo da lista.

3) Caminhamento padronizado e olhar certo
Use um trajeto em W (ou zigue-zague), pare em pontos fixos e avalie plantas representativas. Em cada parada, o alvo não é só a folha: é bainha + colmo. A orientação da Embrapa para doenças desse complexo reforça a necessidade de observar essas estruturas, já que os sintomas se instalam nelas.

4) Marcação e rechecagem rápida
Localize o ponto (GPS/app), anote data, estádio e intensidade, e retorne poucos dias depois. Essa rechecagem mostra se o foco está estável ou acelerando — informação-chave para encaixar o manejo no tempo correto.

 

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