Possível quebra na safrinha pode elevar preço do milho
Incertezas externas afetam exportação de milho
Foto: Nadia Borges
Segundo a análise “Direto do Campo”, da Grainsights produzida pela Grão Direto e divulgada nesta segunda-feira (6), as perspectivas para o milho negociado na B3 nas próximas semanas devem ser influenciadas pelas condições climáticas no Centro-Sul do país. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia indica que abril terá chuvas abaixo da média e temperaturas acima do padrão na região, cenário que pode provocar estresse hídrico nas lavouras em fases críticas de desenvolvimento e pressionar os preços no mercado doméstico.
Pelo lado da demanda, a possibilidade de perdas na segunda safra de milho tende a intensificar a disputa interna pelo grão disponível. De acordo com a análise, indústrias de etanol de milho e o setor de proteína animal, que tradicionalmente ampliam estoques neste período do ano, podem adotar uma postura de compra mais agressiva para evitar desabastecimento no segundo semestre. “A ameaça cada vez mais real de quebra na safrinha deve aquecer a disputa interna pelo grão físico disponível”, aponta o relatório.
As exportações brasileiras também enfrentam um cenário de incerteza. Segundo a análise, o Irã consolidou-se como um dos principais destinos do milho brasileiro, mas o agravamento de conflitos na região e o fechamento de rotas marítimas podem comprometer embarques. “Existe o risco iminente de que embarques sejam travados ou cancelados”, destaca o relatório, acrescentando que a situação pode reter volumes no mercado interno e provocar distorções de preços.
No campo macroeconômico, a agenda da segunda semana de abril deve influenciar o comportamento do câmbio. Nos Estados Unidos, a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) será observada pelo mercado por seu impacto nas decisões de juros do Federal Reserve, fator que pode afetar a força do dólar. No Brasil, a atenção se volta para o índice oficial de inflação, o IPCA de março, que pode alterar a precificação da curva de juros do Comitê de Política Monetária. O relatório também aponta que a valorização do dólar pode representar oportunidade para vendas antecipadas de grãos, enquanto custos de produção seguem no radar, especialmente no mercado de fertilizantes. Tensões no Oriente Médio e possíveis restrições no Estreito de Ormuz elevam o risco de aumento nos preços de insumos como ureia e fosfatados, utilizados na agricultura.
Por fim, a análise orienta produtores a acompanhar as cotações na plataforma da Grão Direto e avaliar oportunidades de comercialização conforme a rentabilidade planejada. “Ao identificar um valor alinhado à sua margem sustentável, aproveite para comercializar digitalmente seus grãos com segurança e agilidade”, recomenda o relatório.