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Crise no Irã e o impacto no campo: Brasil pode vender mais, mas enfrenta diesel e insumos mais caros

Petróleo mais caro pode virar custo para dentro de casa


Foto: Pixabay

O agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã já impacta a economia brasileira, com efeitos imediatos sobre petróleo, rotas marítimas, custos do agronegócio e fluxo de investimentos. 

De acordo com Ricardo Inglez de Souza, sócio do IW Melcheds Advogados e especialista em Comércio Internacional e Direito Econômico, a tensão ganhou novo patamar com o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Na esteira do risco de interrupção do fluxo de energia, o petróleo Brent voltou a disparar: nesta terça-feira (3 de março de 2026), os contratos subiam perto de 8%, chegando a US$ 83,79 por barril pela manhã (horário de Brasília), após sessões seguidas de alta.

Do lado positivo, Inglez de Souza observa que a valorização do petróleo tende a aumentar a receita da Petrobras, abrindo espaço para novos investimentos e expansão de capacidade produtiva no setor de energia. “Em um cenário de economia global altamente integrada, um conflito dessa magnitude inevitavelmente repercute no Brasil. Do lado das oportunidades, a valorização do petróleo pode impulsionar investimentos e ampliar a capacidade produtiva nacional”, afirma o especialista.

A instabilidade no Oriente Médio também pode reorganizar cadeias de suprimento. Na leitura do especialista, o Brasil pode ganhar tração como fornecedor de ferro, níquel e cobre, ocupando lacunas deixadas por exportadores afetados por restrições produtivas ou gargalos logísticos.

Com o comércio sob pressão e seguradoras reprecificando riscos em áreas sensíveis, rotas alternativas e fornecedores considerados mais “seguros” tendem a ganhar espaço — e o Brasil entra nesse radar.

Impacto no agro

Para o agronegócio, a oportunidade aparece principalmente no mercado de alimentos. “O Brasil é um dos principais produtores globais de carne, soja e outros produtos alimentícios. Em momentos de instabilidade, países buscam diversificar fornecedores e priorizar parceiros considerados seguros”, diz Inglez de Souza.

Na prática, isso pode significar aumento de demanda por embarques brasileiros, sobretudo se compradores da Ásia, Europa e Américas reduzirem exposição a rotas e origens com maior risco geopolítico — justamente porque Ormuz é passagem crítica para energia e também influencia o custo do frete e do seguro marítimo.

O outro lado: combustíveis mais caros atingem em cheio logística e inflação

O alerta, porém, é direto: o petróleo mais caro pode virar custo para dentro de casa. “O Brasil é particularmente sensível ao aumento do combustível”, afirma Inglez de Souza, citando o impacto em cadeia sobre transporte rodoviário, setor aéreo e cadeias que dependem de logística intensa — caso de grãos, carnes e insumos.

Com o Brent em alta e o mercado precificando risco de desabastecimento, a pressão tende a se espalhar para diesel, gasolina e custos de distribuição, o que pode afetar margens no campo e na indústria de alimentos.

Outro ponto importante é o custo de produção no agro. A interrupção e o encarecimento de rotas marítimas em áreas próximas ao Golfo podem elevar custos de importação e alongar prazos, atingindo fertilizantes e outros insumos estratégicos.

Para Inglez de Souza, o choque logístico é um dos efeitos mais rápidos do conflito: mesmo quando o produto existe, o transporte e o seguro podem se tornar o gargalo — e isso chega ao produtor na forma de preço.

 

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