CI

Clima em transição eleva incertezas no agro

As análises indicam anomalias positivas na temperatura da superfície do mar


As análises indicam anomalias positivas na temperatura da superfície do mar entre abril e junho As análises indicam anomalias positivas na temperatura da superfície do mar entre abril e junho - Foto: Pixabay

As previsões climáticas para os próximos meses indicam um cenário de transição que pode trazer maior instabilidade e ampliar os riscos para a produção agrícola. A combinação de aquecimento dos oceanos, irregularidade das chuvas e temperaturas acima da média exige atenção redobrada, especialmente no Brasil.

A 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX aponta maior probabilidade de neutralidade do ENOS entre o outono e o início do inverno, com chance de cerca de 60% a 70% até julho. A partir do segundo semestre, cresce o risco de formação de um El Niño, com aquecimento do Pacífico Equatorial.

As análises indicam anomalias positivas na temperatura da superfície do mar entre abril e junho, com influência também do Atlântico Sul. Esse cenário pode favorecer episódios pontuais de maior umidade no Sul do Brasil, enquanto outras regiões enfrentam distribuição irregular das chuvas. A variabilidade espacial e temporal das precipitações é apontada como o principal desafio no curto prazo.

“Os próximos meses de transição devem ser marcados por um cenário climático instável, em que o sinal do oceano aponta para neutralidade, enquanto o aquecimento global de fundo segue pressionando as temperaturas e aumentando a volatilidade regional”, afirma Carolina Giraldo, analista de Inteligência de Inteligência de Mercado da StoneX. “Isso exige decisões mais cautelosas no campo, porque os padrões clássicos do ENOS já não explicam, sozinhos, o comportamento do clima.”

Na América do Sul, o período de transição aumenta as incertezas sobre a safrinha de milho. A intensificação da corrente de jato subtropical pode reduzir a umidade no Centro-Oeste e Sudeste, antecipando o fim das chuvas e afetando a produtividade. Ao mesmo tempo, o histórico recente de boa umidade sustenta perspectivas positivas para a safra 2025/2026 e favorece culturas como café e cana-de-açúcar.

Para o segundo semestre, o relatório alerta para a possível combinação entre El Niño e Dipolo Positivo do Índico, o que pode elevar o risco de seca no Norte e Nordeste do Brasil e aumentar a volatilidade nos mercados agrícolas.
 

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7