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Crédito e seguro ainda são gargalos para o produtor rural

Conectividade e a modernização dos sistemas tendem abrir espaço para soluções


Foto: Canva

O crédito e o seguro rural continuam entre os principais gargalos para o avanço do agronegócio brasileiro, em um momento em que o setor precisa ampliar investimentos, incorporar tecnologia e se preparar para um ambiente mais competitivo. De acordo com as reflexões apresentadas por Ingo Plöger, presidente da Abag, o Brasil tem potencial para liderar uma economia baseada em recursos naturais, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar essa vantagem em desenvolvimento consistente.

Segundo o dirigente, o país precisa abandonar uma lógica excessivamente voltada ao presente e adotar uma visão mais estratégica de futuro. Conforme Plöger, a discussão passa pela capacidade de enxergar soluções estruturais para o campo, especialmente em temas que afetam diretamente a atividade produtiva, como financiamento, cobertura de riscos e inovação.

Nesse contexto, o crédito e o seguro aparecem como entraves centrais. Segundo Ingo Plöger, pensar esses instrumentos dentro do ambiente atual ainda é algo difícil, o que limita a criação de mecanismos mais modernos e eficientes para o setor agropecuário. Para o produtor rural, esse cenário representa mais incerteza em momentos de instabilidade climática, oscilação de mercado e necessidade de modernização da propriedade.

O Brasil já começa a construir bases para uma nova etapa de transformação no campo, especialmente por meio da digitalização. Conforme o presidente, a conectividade e a modernização dos sistemas tendem a abrir espaço para soluções inéditas, inclusive com reflexos sobre a forma como propriedades e operações rurais podem ser estruturadas financeiramente.

De acordo com o conteúdo apresentado, a digitalização do campo não deve ser vista apenas como avanço tecnológico, mas como ferramenta prática para viabilizar novos modelos de proteção e financiamento. Entre as possibilidades levantadas estão mecanismos mais modernos de seguro e novas formas de estruturação patrimonial, capazes de aumentar a segurança e ampliar o acesso a instrumentos financeiros.

Outro ponto central da entrevista é a limitação do mercado de resseguros no Brasil. Segundo Ingo Plöger, o país mantém cerca de US$ 350 bilhões aplicados em reservas no exterior, com retorno considerado negativo, enquanto poderia destinar uma pequena parcela desses recursos para criar lastro ao resseguro. A proposta, conforme a análise apresentada, seria usar parte desse montante para sustentar operações ligadas a eventos catastróficos e ampliar a capacidade de resposta do sistema de seguro no país.

Na prática, a medida poderia trazer efeitos importantes para o produtor rural, principalmente ao fortalecer a base de cobertura contra perdas e reduzir parte das limitações atuais do mercado. De acordo com a entrevista, a criação de um lastro robusto ajudaria a construir uma estrutura mais preparada para lidar com catástrofes e outros riscos, sem exigir respostas emergenciais improvisadas a cada nova crise.

Segundo Plöger, há uma parcela da sociedade civil que continua acreditando no país e fazendo as transformações acontecerem, ainda que as dificuldades permaneçam. Para o produtor rural, a principal mensagem é que o futuro da atividade dependerá cada vez mais da combinação entre conectividade, novos instrumentos financeiros e proteção contra riscos. Conforme a entrevista, o debate sobre crédito, seguro e visão de longo prazo precisa deixar de ser pontual e passar a ocupar posição central na construção de políticas e estratégias para o campo.

 

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