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Agro brasileiro pode enfrentar impacto indireto de operação na Venezuela

Reconfiguração geopolítica traz riscos econômicos relevantes para o Brasil


Foto: Pixabay

A captura de Nicolás Maduro em operação conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela provocou repercussões imediatas na política internacional e acendeu um alerta no agronegócio brasileiro. Embora o impacto direto nas relações comerciais entre Brasil e Venezuela seja limitado, especialistas indicam que as consequências indiretas para o setor agropecuário brasileiro podem ser em áreas como energia, fretes, contratos e exigências regulatórias.

Segundo André Aidar, doutor e mestre em Agronegócio e sócio do Lara Martins Advogados, a reconfiguração geopolítica traz riscos econômicos relevantes para o Brasil. “Alterações nos fluxos de energia, commodities e insumos estratégicos afetam preços internacionais, logística e competitividade. Tensões prolongadas podem reforçar o Brasil como fornecedor confiável de alimentos, mas também ampliam a exposição à volatilidade cambial, aos custos de frete, combustíveis e fertilizantes”, afirma.

Esses efeitos ocorrem em um momento de crescente complexidade no comércio global, exigindo que o setor agro reforce sua capacidade de gestão de riscos. Aidar recomenda estratégias como diversificação de mercados, revisão de cláusulas contratuais e atenção às sanções e barreiras comerciais que podem ser alteradas rapidamente diante de novos alinhamentos políticos.

Adhemar Michelin Filho, especialista em Direito Empresarial e Ambiental e sócio da Michelin Sociedade de Advogados, complementa que o impacto logístico pode ser imediato. “Ruídos geopolíticos costumam aumentar a volatilidade do petróleo, pressionando diesel, fretes e custos logísticos no Brasil. Isso repercute diretamente em cadeias como a de proteína animal, onde transporte, refrigeração e distribuição têm peso relevante”, observa.

Além disso, o endurecimento de regras internacionais de compliance e rastreabilidade pode atingir até mesmo empresas que não negociam diretamente com a Venezuela. Michelin alerta para a intensificação dos processos de due diligence e maior rigor por parte de bancos e seguradoras, afetando prazos, liquidez e segurança jurídica em operações agroindustriais.

Para ambos os especialistas, a principal lição é a incorporação do risco geopolítico como variável estruturante na gestão das cadeias do agronegócio. Isso envolve planejamento logístico mais robusto, contratos adaptáveis a cenários voláteis e práticas de governança e compliance capazes de atender a exigências em constante evolução.

Apesar das incertezas, o cenário também pode reforçar a posição estratégica do Brasil como fornecedor de alimentos em um ambiente global instável. No entanto, a manutenção da competitividade dependerá de ações proativas por parte de produtores, cooperativas e empresas para mitigar os efeitos indiretos de conflitos que, embora externos, repercutem diretamente nos custos e na previsibilidade do setor.

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