Oriente Médio reforça papel estratégico no mercado de grãos
A estratégia saudita também envolve forte investimento em logística e armazenagem
A estratégia saudita também envolve forte investimento em logística e armazenagem - Foto: Divulgação
A conferência anual da IAOM para Oriente Médio e África reuniu o setor moageiro internacional em um momento marcado por ampla oferta de trigo no mercado global, mas também por expectativas positivas quanto ao papel da região nos fluxos futuros do grão. Realizado em dezembro, o evento destacou a consolidação do Oriente Médio como área estratégica para armazenagem, distribuição e consumo, mesmo diante de preços pressionados e estoques elevados.
A Arábia Saudita apareceu como eixo central desse movimento. O país vem deixando para trás um modelo baseado em produção doméstica subsidiada e avança para uma cadeia totalmente dependente de importações, com suprimento diversificado e estrutura privatizada. O trigo consumido internamente passa a ter origem em diferentes países da Europa, do Mar Negro, da Austrália e, em menor escala, da América do Norte, reforçando a integração do país ao comércio global.
A estratégia saudita também envolve forte investimento em logística e armazenagem. A SABIL, empresa criada no âmbito da política de segurança alimentar do reino, opera terminais portuários, silos e infraestrutura interna com foco em garantir abastecimento contínuo às indústrias moageiras. Além do trigo, a companhia amplia sua atuação para outros grãos, como milho, cevada e soja, acompanhando a diversificação da demanda.
Executivos do setor ressaltaram que a expansão da capacidade de estocagem permite ao país atuar como apoio regional em períodos de risco geopolítico ou interrupções de oferta. A combinação entre disponibilidade física e infraestrutura adequada foi apontada como elemento-chave para enfrentar a maior variabilidade climática e a volatilidade dos mercados.
No ambiente global, analistas reforçaram que o mercado de trigo vive um cenário de sobra estrutural. A produção elevada em grandes origens, como Rússia, Austrália, Estados Unidos e Europa, mantém os estoques em crescimento e limita a recuperação dos preços. Com o comércio internacional avançando pouco no médio prazo, a competitividade passa a depender cada vez mais de logística, custos e acesso a mercados estratégicos, como o Oriente Médio e o Norte da África.