Trigo recua até 18% e atinge menor preço desde 2018
Oscilação no preço do trigo acende sinal de alerta
Foto: Seane Lennon
De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o mercado de trigo iniciou 2026 com oscilações regionais nos preços. Enquanto os estados de Santa Catarina e Paraná registraram desvalorizações, os valores praticados no Rio Grande do Sul e em São Paulo apresentaram leve alta. As diferenças refletem fatores locais como o volume disponível para venda, ritmo das exportações e a estratégia de comercialização dos produtores.
Em Santa Catarina, o preço médio do trigo foi de R$ 1.158,92 por tonelada, recuo de 1,6% em relação a dezembro de 2025 e queda acentuada de 18,3% na comparação com janeiro do ano anterior. Ainda segundo o Cepea, trata-se do menor valor real registrado desde março de 2018, considerando os dados deflacionados pelo IGP-DI de dezembro/25. A baixa está atrelada à liquidação de estoques e maior oferta no mercado.
No Paraná, a retração mensal foi mais branda, com média de R$ 1.178,66/t — queda de 0,4% em relação ao mês anterior e de 15,2% frente a janeiro de 2025. Em termos reais, é o menor patamar desde outubro de 2023. Assim como em Santa Catarina, a pressão vendedora e a disponibilidade interna contribuíram para essa desvalorização.
Já no Rio Grande do Sul, a situação foi diferente. O bom desempenho das exportações deu sustentação aos preços, que fecharam janeiro com média de R$ 1.050,89/t. O valor representa uma alta de 1,4% sobre dezembro, sendo o maior nível em três meses. Apesar disso, ainda há uma queda anual significativa, de 16,1%.
Em São Paulo, o cenário é de valorização pelo terceiro mês consecutivo. O preço médio foi de R$ 1.257,25/t em janeiro, com leve aumento de 0,4% frente a dezembro. O movimento, segundo dados do Cepea, é impulsionado pela retração da oferta por parte dos vendedores. Ainda assim, a comparação anual mostra um recuo expressivo de 19,9%.
A divergência entre os estados reflete um mercado em adaptação a novas condições de oferta e demanda, além das estratégias comerciais regionais. A tendência de baixa nos preços, mesmo com altas pontuais, sinaliza desafios para os produtores neste início de ano.