Soja: mercado opera cauteloso antes do WASDE
Relatório WASDE pode pressionar cotações
Foto: Canva
A análise do especialista da Grão Direto, divulgada nesta segunda-feira (9), aponta que o principal fator de volatilidade do mercado da soja nesta semana é a divulgação do relatório WASDE de fevereiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para esta terça-feira (10), às 13h. Segundo a avaliação, o mercado opera com viés cauteloso após revisões anteriores que elevaram os estoques finais norte-americanos e mantiveram a produção brasileira em patamares elevados, em torno de 178 milhões de toneladas. O especialista afirma que, “caso o USDA confirme que a demanda global, mesmo com compras chinesas, não seja suficiente para absorver a oferta recorde, Chicago pode testar níveis mais baixos”. Diante desse cenário, a orientação é que o produtor acompanhe a divulgação do relatório e a reação do mercado para avaliar oportunidades pontuais.
As condições climáticas seguem influenciando o mercado de forma distinta entre as regiões. No Cone Sul, altas temperaturas e a falta de chuvas no Rio Grande do Sul e na Argentina já resultam em perdas de produção, consideradas irreversíveis em algumas áreas. De acordo com a Grão Direto, a quebra na Argentina pode oferecer sustentação às cotações, mesmo com a entrada da safra recorde do Mato Grosso. Ao mesmo tempo, o excesso de chuvas no Centro-Norte do Brasil tende a pressionar a logística, elevar custos e exigir maior atenção do produtor quanto ao momento de comercialização.
No mercado, o foco permanece na paridade de exportação, que segue pressionada pela combinação de dólar mais fraco e prêmios reduzidos, o que tem limitado a formação de preços no mercado interno mesmo em dias de alta em Chicago. A análise da Grão Direto indica que não há, por ora, expectativa de movimentos relevantes no câmbio ao longo da semana. Com a colheita do Mato Grosso entrando no pico, a oferta imediata tende a manter a pressão típica de período de safra, com a disponibilidade do grão restringindo altas mais expressivas que acompanhem os movimentos de Chicago.
Com base nesses fatores, a avaliação é de que a semana tende a ser marcada por novas baixas, pressionadas pelo avanço da colheita e, possivelmente, também pelos números que serão apresentados no relatório WASDE.