Operação Triângulo apreende 21 toneladas de agrotóxicos
Fiscalização apreende produtos irregulares em Minas Gerais
Foto: Divulgação
O Ministério da Agricultura e Pecuária deflagrou, na terça-feira (10), a Operação “Triângulo”, em continuidade à Ronda Agro CXXVII, com ações realizadas em Uberaba, em Minas Gerais, e em outros municípios do Triângulo Mineiro. A iniciativa teve como objetivo combater o contrabando e a falsificação de agrotóxicos.
A operação ocorreu no âmbito do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras) e foi planejada em conjunto com o Instituto Mineiro de Agropecuária. A ação contou com apoio da Receita Federal e da Polícia Civil de Uberaba, além da Seção de Inovação Tecnológica da Superintendência de Inteligência Integrada da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás, do Centro Integrado de Inteligência, Segurança Pública e Proteção Ambiental, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em São Paulo.
O uso de tecnologia tornou-se elemento central nas ações de inteligência contra o contrabando e a falsificação de insumos agrícolas, afirmou Fernando Andrei Baccarin, presidente da Abrarastro, ao comentar a integração entre forças de segurança e centros de inteligência em operações recentes no Triângulo Mineiro. Segundo ele, “a tecnologia já deixou de ser um apoio e passou a ser um elemento central nas ações de inteligência contra o contrabando e a falsificação de insumos agrícolas”.
O dirigente acrescentou que, em ações integradas como a realizada em Uberaba, há “três pilares tecnológicos fundamentais como a inteligência de dados; identificação e autenticação de produtos; um monitoramento preventivo; dentro de uma rastreabilidade estrutural”, destacando que soluções de rastreabilidade permitem registrar as etapas do produto até o destino final, desde que haja investimento e fiscalização do uso de ferramentas como caderno de campo e plataformas de monitoramento do processo produtivo. “Em resumo quando cada lote tem identidade digital, o mercado ilegal perde espaço”, afirmou.
Como resultado, foram apreendidas cerca de 21 toneladas de agrotóxicos em situação irregular em estabelecimento sem autorização para armazenamento e comercialização desse tipo de produto. Do total, aproximadamente 300 quilos eram contrabandeados. Em um dos locais fiscalizados, foram encontrados sacos sem identificação contendo pó branco que, após análise por espectrômetro de infravermelho portátil, apresentou alta similaridade com o princípio ativo abamectina. Também foi constatada a presença de grande quantidade de agrotóxicos vencidos, sem segregação adequada, com possibilidade de reutilização.
A identificação de produtos falsificados contou com apoio das empresas detentoras dos registros, que prestaram suporte em tempo real durante os procedimentos de inspeção. Alguns itens analisados por espectrômetro indicaram ausência de similaridade com os produtos originais. Em outro estabelecimento, foram localizados materiais e equipamentos que poderiam ser utilizados para fracionamento e manipulação de agrotóxicos, além da constatação de comercialização sem notas fiscais e sem receituário agronômico.
O prejuízo estimado aos infratores, considerando os produtos apreendidos, supera R$ 4 milhões. Além das medidas administrativas, como interdição e autuação dos estabelecimentos, um dos responsáveis foi conduzido à delegacia para os procedimentos policiais cabíveis. O Mapa informou que ações desse tipo visam retirar de circulação agrotóxicos sem qualidade adequada, que podem representar riscos aos produtores, à sanidade vegetal, ao meio ambiente e à saúde pública, e que a iniciativa integra o compromisso de garantir a competitividade do mercado de produtos legais.