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Disputa logística redefine rotas minerais africanas

A vantagem atlântica está associada à menor distância terrestre


A vantagem atlântica está associada à menor distância terrestre A vantagem atlântica está associada à menor distância terrestre - Foto: Canva

A crescente demanda global por minerais críticos colocou a África Austral no centro de uma disputa geoeconômica entre rotas logísticas que ligam o interior do continente aos oceanos Atlântico e Índico. A análise é de Ivo Ernesto, especialista sênior de Supply Chain e Intermodalidade, que destaca a competição entre corredores da Zâmbia e da República Democrática do Congo como um dos principais vetores de mudança no comércio mineral.

Zâmbia e RDC passaram a concentrar atenções à medida que quatro corredores disputam o mesmo hinterland, especialmente a região do Copperbelt. No Atlântico, os portos de Lobito, em Angola, e Walvis Bay, na Namíbia, oferecem acessos terrestres de cerca de 1.300 e 1.700 quilômetros. No Índico, Dar es Salaam, na Tanzânia, conecta-se a Lusaka por aproximadamente 2.000 quilômetros, enquanto Nacala, via Malawi, e Durban, na África do Sul, completam as principais rotas em operação.

A vantagem atlântica está associada à menor distância terrestre até os mercados da Europa e das Américas. A ligação por Lobito reduz cerca de 700 quilômetros em relação a Dar es Salaam, com tempo de trânsito estimado em três dias, contra até duas semanas pela rota de Durban. Essa diferença pode representar economias de centenas de dólares por tonelada transportada. Considerando um volume anual de 880 mil toneladas de cobre zambiano, cada dia economizado no escoamento pode gerar milhões de dólares adicionais em receitas.

O Índico mantém competitividade pela proximidade com a Ásia. China, Índia e Sudeste Asiático contam com rotas marítimas mais curtas, infraestrutura portuária consolidada e linhas de navegação estabelecidas. Atualmente, Dar es Salaam responde por cerca de 60% das exportações da Zâmbia, seguido por Durban, com 20%, e Nacala, com 15%, em expansão.

Nesse cenário, o mesmo minério pode seguir para o Oeste ou para o Leste conforme o mercado final, mas é a infraestrutura terrestre que define o custo logístico total. A disputa reposiciona a Zâmbia como um território multiconectado, levantando a questão sobre a capacidade do corredor atlântico de equilibrar o domínio histórico do Índico.
 

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