CI

CNA defende aumento da mistura de biodiesel no diesel para conter impactos da alta de preços

CNA solicita elevação do teor de biodiesel no diesel para conter alta de preços


Foto: Divulgação

Entidade afirma que ampliar participação do biocombustível pode reduzir pressão sobre o preço do diesel e fortalecer a segurança energética do país

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao governo federal a elevação da proporção obrigatória de biodiesel misturada ao diesel comercializado no país. A proposta é que o percentual atual, de 15%, passe para 17%, medida que, segundo a entidade, ajudaria a amenizar os efeitos da recente valorização do petróleo no mercado internacional.

O pedido foi encaminhado na semana passada, por meio de um ofício, ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e assinado pelo presidente da CNA, João Martins da Silva. Hoje, todo o diesel vendido no Brasil já contém uma parcela obrigatória de biodiesel: combustível renovável produzido principalmente a partir do óleo de soja e de outras matérias-primas vegetais. Esse índice mínimo é definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e atualmente está estabelecido em 15%, modelo conhecido no setor como B15.

Caso a proposta da CNA seja aceita, a composição passaria para B17, com 17% de biodiesel e 83% de diesel de origem fóssil. O tema pode entrar em pauta na reunião do conselho prevista para esta semana. Se aprovado, o novo percentual passaria a valer para todo o diesel comercializado no país.

A CNA argumenta que o aumento das tensões no Oriente Médio tem provocado forte oscilação nos preços do petróleo no mercado internacional, o que tende a refletir diretamente no valor do diesel no Brasil.

No documento enviado ao governo, a entidade ressalta que episódios de conflito internacional historicamente impactam o preço dos combustíveis. Como exemplo, cita o período que antecedeu a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, quando o petróleo registrou aumento de cerca de 40% no primeiro semestre daquele ano. Na época, os preços do diesel também subiram, com alta aproximada de 21% nas distribuidoras e de 23% nos postos.

Segundo a CNA, ampliar o uso de biodiesel pode reduzir a dependência do país em relação ao petróleo importado e ajudar a suavizar possíveis pressões sobre os custos logísticos. “Antecipar medidas que ampliem a oferta de combustível no mercado interno é fundamental para proteger a população brasileira de eventuais impactos externos. O aumento da mistura de biodiesel contribui para reduzir pressões sobre os custos de transporte e reforçar a segurança energética nacional”, afirmou João Martins no documento.

O preço do diesel é atualmente uma das maiores preocupações do setor agropecuário, especialmente neste período em que ocorre a colheita da primeira safra e o preparo das áreas para o plantio da segunda safra. Produtores rurais relatam que, em algumas regiões, o combustível já apresenta aumento de até R$ 1 por litro nos postos.

Para a CNA, elevar o percentual de biodiesel pode ajudar a equilibrar o mercado e evitar repasses mais expressivos aos consumidores, além de reduzir riscos de aumentos abusivos. A entidade também destaca que o Brasil possui condições de ampliar rapidamente o volume de biodiesel disponível. Isso porque a safra de soja, principal matéria-prima utilizada na produção do biocombustível, está em andamento e deve alcançar recorde neste ano.

Com maior oferta do grão e preços mais baixos em comparação aos níveis registrados durante a pandemia, a CNA avalia que o biodiesel tende a permanecer competitivo no mercado. A confederação lembrou ainda que a mistura de 16% (B16) estava prevista no cronograma da política de biocombustíveis para entrar em vigor em 1º de março, mas a medida ainda não foi implementada.

Em Goiás, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) também acompanha o cenário com preocupação e informou que está acionando órgãos de fiscalização e controle, como Procon, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Ministério de Minas e Energia, após relatos de dificuldades no fornecimento de diesel ao setor produtivo. A entidade alerta que o estado vive um momento decisivo do calendário agrícola, com a colheita da soja e o plantio da segunda safra em andamento, e que qualquer interrupção no abastecimento pode comprometer operações no campo e impactar a produção agropecuária.

Comunicação Sistema Faeg/Senar

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7