Produção de hortaliças cresce no Paraná
Preço médio varia entre tipos de hortaliças
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A classificação técnica das hortaliças no Brasil, adotada pelo setor produtivo e por centrais de abastecimento, segue critérios estabelecidos desde o século passado e ainda orienta a análise do mercado, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). De acordo com o boletim divulgado na quinta-feira (19), o modelo foi ampliado pela Universidade Federal de Viçosa e sistematizado por Fernando Filgueira no livro “Novo Manual de Olericultura”, consolidando uma base conceitual aplicada desde a implantação das Ceasas nos anos 1970.
O boletim reproduz a definição clássica ao afirmar: “Hortaliças-fruto – utilizam-se os frutos ou parte deles, como as sementes: tomate, melancia, quiabo, morango, feijão-vagem, etc.”, além de destacar que “Hortaliças herbáceas – aquelas cujas partes comerciáveis e utilizáveis localizam-se acima do solo, sendo tenras e suculentas”, enquanto “Hortaliças tuberosas: as partes utilizáveis desenvolvem-se dentro do solo, sendo ricas em carboidratos”.
Segundo o Deral, há distorções na classificação adotada em algumas centrais de abastecimento. O boletim aponta que “nas diversas CEASAs, tem-se cometido o engano – do ponto de vista agronômico – de considerar melancia, melão e morango como ‘frutas’ e não como hortaliças-fruto”. O órgão informa que, para fins de análise, mantém essas culturas no segmento de fruticultura.
No acompanhamento da olericultura, o departamento monitora mais de 50 espécies, distribuídas entre os grupos tuberosos, herbáceos e frutos, abrangendo culturas como batata, mandioca, alface, brócolis, tomate e pimentão. Esse recorte permite avaliar o comportamento produtivo e econômico do setor no estado.
Em 2024, a olericultura paranaense ocupou 115,8 mil hectares e produziu 2,9 milhões de toneladas, movimentando R$ 7,1 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP), o equivalente a 3,8% do total da agropecuária estadual, estimado em R$ 188,3 bilhões.
As hortaliças tuberosas concentraram a maior participação, com 62,1 mil hectares cultivados e produção de 1,5 milhão de toneladas, gerando R$ 3,1 bilhões. Já as herbáceas ocuparam 28,1 mil hectares, com colheita de 596,4 mil toneladas e movimentação de R$ 1,7 bilhão. As hortaliças-fruto somaram R$ 2,2 bilhões, com produção de 716,5 mil toneladas em 25,6 mil hectares.
O boletim destaca que as principais culturas — como batata, mandioca, cenoura, cebola, tomate e pimentão — concentram a maior parte do valor gerado. Ao todo, quinze hortaliças respondem por 82,4% do VBP estadual da olericultura.
Em termos de preços médios, o levantamento indica diferenças entre os grupos. O valor médio foi de R$ 3,11 por quilo para hortaliças-fruto, R$ 2,91 para herbáceas e R$ 2,01 para tuberosas no período analisado.