Resíduos viram adubo orgânico enriquecido no Paraná
Composto enriquecido com microrganismos será testado para uso agrícola no Paraná
Foto: Pixabay
Resíduos orgânicos podem ser transformados em um composto enriquecido capaz de suprir as necessidades das culturas agrícolas. Essa é a proposta do Projeto Compostagem, desenvolvido pelo IDR-Paraná em parceria com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Estadual do Paraná (Funespar) e a empresa Ambiente Livre. A Estação de Pesquisa em Agroecologia do Instituto, em Pinhais, sediou, na última quarta-feira (5), uma reunião para apresentação e alinhamento das ações.
A iniciativa prevê a implantação de uma composteira na unidade, além da distribuição de baldes entre colaboradores do IDR-Paraná e do CEEP Newton Freire Maia para a coleta de resíduos orgânicos domésticos. Ao final do processo, os participantes receberão um balde do composto produzido. Entre os materiais permitidos estão cascas de frutas, verduras e legumes, talos, sementes, cascas de ovos e borra de café. Não são aceitos resíduos de origem animal nem alimentos industrializados ou preparados com sal e temperos.
Segundo o consultor ambiental Maurício Gikoski, representante da empresa Ambiente Livre, responsável pela execução por meio de edital da Seti, o trabalho envolve o acompanhamento do processo por sensores e análises laboratoriais, buscando validar a metodologia e possibilitar sua replicação. Após a compostagem, o material seguirá para o laboratório do IDR-Paraná, em Londrina, onde passará por enriquecimento com microrganismos. “A expectativa é expandir a iniciativa e criar um produto final com valor agregado, já que o composto tradicional possui valor nutricional, mas ainda não atende plenamente às necessidades dos produtores”, explicou.
Serão utilizados três microrganismos: Trichoderma sp (fungos), Bacillus sp (bactérias) e microalgas – adição que torna o composto mais eficiente. “Vejamos um exemplo prático: se uma fonte de fósforo não está disponível, microrganismos capazes de solubilizá-lo produzem ácidos orgânicos durante o crescimento, transformando-o em uma forma assimilável pela planta”, detalhou a pesquisadora da área de microbiologia do solo do IDR-Paraná, Diva Andrade.
O coordenador do projeto, pesquisador e coordenador estadual de pesquisa do Programa Recursos Naturais e Sustentabilidade (PRNS), Arnaldo Colozzi, destaca que a discussão sobre resíduos orgânicos é iminente. “A questão do lixo humano é um problema crescente. A compostagem, porém, não é lixo: é um resíduo rico, parte da ciclagem de nutrientes. Quando não a incorporamos ao dia a dia, desperdiçamos um recurso natural e contribuímos para a geração de chorume, prejudicial à natureza e às pessoas”, afirmou.
Como parte das atividades, a equipe técnica visitou a Fazenda Urbana, no bairro Cajuru, em Curitiba, para conhecer o modelo que será implantado na Estação. A perspectiva futura inclui ações educativas com crianças e o desenvolvimento de um produto de fácil aplicação, como na forma granulada, que poderá ser utilizado em hortas domésticas e jardins, contribuindo para a gestão sustentável de resíduos e o fortalecimento de práticas agrícolas mais ecológicas.