Custo elevado trava plantio de trigo no Paraná
Área de trigo não deve crescer no estado
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A área de trigo no Paraná não tem perspectiva de aumento na próxima safra, segundo o Boletim Conjuntural divulgado na quinta-feira (05) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). De acordo com o levantamento, o principal fator é a queda de 14% nos preços em relação aos valores praticados no início de 2025, conforme a pesquisa de preços recebidos pelos produtores paranaenses.
Em janeiro, a média da saca foi de R$ 62,19, patamar que, nos custos atuais, equivale a aproximadamente 56 sacas por hectare. O nível de preços reduz a margem do produtor, considerando que a produtividade média registrada em 2025 foi de 57 sacas por hectare. O Deral aponta que mesmo regiões com maior nível de tecnologia enfrentam dificuldade para atingir produtividade suficiente para cobrir os custos nesse cenário. Na Regional de Ponta Grossa, por exemplo, a média de 56 sacas por hectare foi superada em apenas três das últimas dez safras.
Outro fator que pesa contra a ampliação da área de trigo é a concorrência com a segunda safra de milho em grande parte do estado. O plantio do milho já alcança 12% dos 2,84 milhões de hectares estimados para a cultura em 2026 e, se confirmado, esse volume estabelecerá um novo recorde de área. Apesar de o ritmo de plantio estar abaixo do esperado, em função do alongamento do ciclo das culturas de verão, a estimativa é de que a área do milho não seja reduzida a ponto de favorecer o trigo.
O boletim do Deral também destaca que os preços do trigo estão apenas 15% acima dos do milho, quando a relação necessária para estimular a escolha do cereal de inverno seria próxima de 80%. Mesmo os maiores valores do trigo registrados nos últimos 12 meses, de R$ 79,99 em junho de 2025, não alcançaram esse patamar, o que tende a concentrar o cultivo em regiões menos aptas ao milho.
As perspectivas de preços indicam poucas chances de mudança no quadro até o fim do período de plantio. Os moinhos paranaenses importaram, em 2025, o maior volume de trigo em grão da série histórica, somando 879 mil toneladas, aproveitando a queda dos preços internacionais. Esse volume se soma à safra de 2,8 milhões de toneladas colhida no Paraná em 2025, além da oferta elevada da safra argentina e do resultado de uma safra mundial recorde, o que amplia o conforto dos compradores. O Deral avalia que um dos poucos fatores com potencial de impacto de curto prazo sobre os preços é a volatilidade cambial, uma vez que, apesar da valorização atual do real, tensões geopolíticas podem alterar o cenário a qualquer momento.