Conflito no Oriente Médio eleva preços de fertilizantes
Ureia dispara mais de 15% nos portos brasileiros
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Os preços dos fertilizantes nitrogenados registraram alta nos últimos dias em meio aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e aos impactos sobre a oferta global e a logística de exportação. De acordo com a StoneX, empresa global de serviços financeiros, o movimento de valorização foi observado em diferentes mercados, incluindo o Brasil, onde as cotações apresentaram variações semanais expressivas.
Nos portos brasileiros, a ureia registrou aumento superior a 15% na semana, enquanto o nitrato de amônio teve valorização ainda mais acentuada, com alta de cerca de 28%, após subir mais de US$ 100 por tonelada no mesmo período.
Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, o movimento está ligado às incertezas geradas pelo conflito e aos impactos já observados na cadeia global de fertilizantes. “Nos dias que se seguiram ao início do conflito, muitos fornecedores retiraram suas ofertas do mercado enquanto aguardavam maior clareza sobre a situação e sobre a formação de preços da ureia no mercado internacional. Ao mesmo tempo, houve redução da produção de nitrogenados no Catar após ataques no país, o que já indica uma diminuição na disponibilidade global de mercadorias”, ressalta Pernías.
Outro fator apontado é a situação logística na região. A navegação no Estreito de Hormuz, considerada uma rota estratégica para o comércio global de insumos, tem sido afetada, comprometendo o escoamento de fertilizantes, gás natural e enxofre produzidos no Oriente Médio.
“De forma geral, o Oriente Médio responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia. Qualquer interrupção prolongada nessa região pode gerar impactos significativos na oferta global, especialmente se o conflito se estender por semanas ou meses”, explica o analista.
No curto prazo, os Estados Unidos tendem a sentir primeiro os efeitos da redução da oferta global. O país atravessa um período de preparação para a safra de primavera, fase em que a demanda por fertilizantes costuma aumentar com a melhora das condições climáticas para as aplicações no campo.
“Caso os preços mais elevados do mercado internacional sejam repassados ao comprador norte-americano, existe o risco de pressão sobre as margens dos agricultores, justamente em um momento importante de planejamento da safra”, destaca Pernías.
No Brasil, o impacto tende a ocorrer de forma mais gradual. As compras de fertilizantes nitrogenados normalmente se intensificam apenas nos meses finais do ano, período que antecede o plantio da safrinha de milho. Diante do cenário atual, importadores podem adotar postura cautelosa no curto prazo.
“Apesar disso, o nível de incerteza é elevado e não há garantia de que os preços estarão mais favoráveis nas próximas semanas. A falta de previsibilidade no cenário geopolítico torna o comportamento do mercado de fertilizantes especialmente difícil de antecipar neste momento”, conclui o analista.