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Crescimento no agro esconde risco bilionário

Cooperativas registraram redução entre 15% e 20% na receita


Casos já observados indicam um histórico de crescimento baseado em forte atuação comercial Casos já observados indicam um histórico de crescimento baseado em forte atuação comercial - Foto: Canva

A gestão de crédito tem ganhado papel central nas estratégias financeiras do agronegócio, especialmente em um cenário de margens apertadas e maior risco nas operações. A avaliação é de Krystous Mikaelis Zappi, gerente financeiro, a partir de conversas com dirigentes de cooperativas do Sul do país.

Segundo ele, nos últimos dois anos, ficou evidente que o domínio sobre o crédito tem sido determinante para a manutenção de resultados, mesmo diante da queda no faturamento. Em alguns casos, cooperativas registraram redução entre 15% e 20% na receita, mas conseguiram preservar o resultado final ao evitar disputas por volume e reforçar critérios na concessão de crédito.

Entre as estratégias adotadas, estão a seleção mais rigorosa de clientes, o aumento da participação junto a parceiros já conhecidos e a transferência de riscos para o mercado. Enquanto isso, parte do setor avançou em ritmo acelerado, com expansão de carteiras e números comerciais expressivos, mas acompanhados de deterioração na qualidade do crédito.

Esse movimento resultou, na prática, em perdas bilionárias para credores, associadas a recuperações judiciais e reestruturações financeiras. Ao mesmo tempo, há o retorno de empresários ao mercado após períodos de non-compete, retomando operações em ritmo acelerado, muitas vezes repetindo padrões anteriores de gestão.

Casos já observados indicam um histórico de crescimento baseado em forte atuação comercial, com o crédito em segundo plano e pouca disciplina no capital de giro, o que pode comprometer a sustentabilidade do negócio. A ausência de equilíbrio entre expansão e qualidade financeira, aliada à baixa integração entre áreas, reforça esse risco.

Na avaliação de Zappi, o principal desafio não está apenas na existência de uma área de crédito, mas na incorporação dessa lógica em toda a empresa. Em um segmento com margens inferiores a 10%, falhas na análise de crédito podem impactar rapidamente o resultado, exigindo maior governança, qualificação profissional e participação estratégica da área financeira nas decisões.
 

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