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El Niño pode influenciar inverno no Brasil

El Niño pode trazer inverno mais quente e mudanças de chuva no país


Foto: Canva

A previsão meteorológica indica que o Centro-Sul do Brasil deve enfrentar uma semana marcada por chuvas intensas e volumosas. As informações são do serviço meteorológico Meteored, que alerta para acumulados próximos de 200 milímetros em alguns estados e risco de transtornos, como alagamentos e deslizamentos.

Segundo a análise da Meteored, além das instabilidades previstas para os próximos dias, o cenário climático global também apresenta mudanças. O Oceano Pacífico equatorial segue em processo de aquecimento, o que aumenta a probabilidade de formação de um evento de El Niño nos próximos meses, fenômeno que pode influenciar os padrões de chuva e temperatura no Brasil durante o inverno.

Apesar dessa tendência, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) ainda mantém, em boletim semanal divulgado na segunda-feira (9), a presença de condições de La Niña. O posicionamento considera o índice Niño relativo (RONI), que indica anomalia de -0,5 °C na temperatura da superfície do mar na região de monitoramento Niño 3.4, limite utilizado para caracterizar episódios de La Niña.

De acordo com a análise apresentada pela Meteored, o comportamento recente do oceano aponta para uma mudança gradual desse quadro. A região Niño 1+2, localizada próxima à costa do Peru, já registra anomalias de cerca de +0,6 °C. Além disso, uma massa de água mais quente em camadas subsuperficiais do oceano, a cerca de 300 metros de profundidade, vem se intensificando e se deslocando em direção à superfície.

Nesse contexto, a avaliação meteorológica indica que a formação de um episódio de El Niño em 2026 é considerada provável. Modelos climáticos apontam que a consolidação do fenômeno pode ocorrer no trimestre entre abril, maio e junho.

A análise considera também projeções do modelo climático do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF), utilizado pela Meteored nas previsões de longo prazo. O conjunto de previsões do International Research Institute for Climate and Society (IRI), que reúne 23 modelos de centros meteorológicos internacionais, também aponta tendência de aquecimento no Pacífico.

Nas projeções climáticas, a média dos modelos dinâmicos ultrapassa o limite utilizado para caracterizar o fenômeno de El Niño no trimestre de abril a junho. Mesmo após a retirada do modelo do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts desse conjunto de previsões em 2025, o sistema continua projetando aquecimento acelerado do Pacífico nos próximos meses.

Caso o aquecimento se confirme e a região Niño 3.4 ultrapasse o limiar do fenômeno nesse período, os efeitos atmosféricos podem ser percebidos já no inverno brasileiro. A previsão sazonal do modelo do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts para o trimestre de junho, julho e agosto indica temperaturas acima da média em grande parte do país.

As projeções indicam que a maior parte do território brasileiro pode registrar temperaturas entre 0,5 °C e 1 °C acima da média histórica, com áreas que podem alcançar até 2 °C acima do padrão climatológico, principalmente no oeste da região Centro-Oeste e em uma faixa entre o Nordeste e o norte do Sudeste.

Em relação às chuvas, o padrão climático associado ao El Niño costuma favorecer aumento das precipitações na Região Sul e redução na Região Norte e em áreas do Nordeste. Nas demais regiões, os impactos tendem a ser menos definidos, podendo ocorrer tanto volumes acima quanto abaixo da média.

De acordo com as projeções do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts, o inverno pode registrar acumulados de até 100 milímetros acima da média na Região Sul, enquanto áreas do Norte e o litoral do Nordeste podem enfrentar déficit de precipitação.

A análise ressalta ainda que a tendência de temperaturas acima da média não significa ausência de episódios de frio. As projeções sazonais representam uma média para todo o trimestre, o que não impede a ocorrência de quedas pontuais de temperatura durante o período.

Outro possível efeito do padrão atmosférico associado ao El Niño é a redução da frequência de avanços de frentes frias e massas de ar polar pelo interior do país, deixando essas incursões mais concentradas na Região Sul. Ainda assim, eventos de quebra desse padrão podem permitir a entrada de massas de ar frio mais intensas sobre o continente.

Na prática, isso indica que o inverno pode registrar menos episódios de frio ao longo da estação, embora com possibilidade de incursões mais intensas quando elas ocorrerem.

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