Selo de qualidade fortalece produção e agrega valor à erva-mate no RS
Certificação da Emater/RS agrega valor e fortalece a produção de erva-mate no RS
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Símbolo da identidade cultural do Rio Grande do Sul e presença constante no cotidiano de milhões de brasileiros, a erva-mate passa por um processo crescente de qualificação que busca garantir, de forma efetiva, a qualidade do produto consumido. Nesse contexto, a Certificação da Qualidade do Processo de Produção da Erva-Mate, desenvolvida pela Emater/RS-Ascar, é uma iniciativa pioneira no país ao estabelecer critérios que abrangem toda a cadeia produtiva.
O sistema de certificação é baseado no Manual de Requisitos elaborado pela própria Emater/RS-Ascar, que organiza, em cerca de 150 itens, os critérios a serem avaliados ao longo do processo produtivo, e verificados durante as auditorias, todos fundamentados na legislação estadual e federal vigente. Esses critérios incluem acompanhamento técnico, atividades de transporte, industrialização, gestão ambiental e da qualidade, além de aspectos relativos à segurança dos trabalhadores, considerando que a atividade envolve riscos como a operação de fornalhas. Também são verificadas, através de análises físico-químicas e microbiológicas, as condições higiênico-sanitárias dos produtos certificados. A conformidade dos critérios de atendimento descritos no Manual é pré-requisito para a obtenção do Certificado e do direito de uso do Selo de Qualidade Emater/RS.
De acordo com o extensionista, engenheiro agrônomo e auditor do Sistema de Certificação da Erva-Mate da Emater/RS-Ascar, Deniandro Rocha, o processo é estruturado em etapas que vão desde uma avaliação inicial até o monitoramento contínuo das empresas certificadas. "Antes mesmo da auditoria oficial, é realizada uma pré-auditoria para verificar se a ervateira possui condições mínimas de ingressar no programa e se está disposta a realizar as adequações necessárias. A partir daí, ocorre a auditoria inicial, que avalia o atendimento aos pré-requisitos e inclui análises laboratoriais completas do produto. Caso esteja em conformidade, a empresa recebe o certificado, com validade de cinco anos, mas condicionado à realização de auditorias anuais de manutenção", destacou, ao citar as auditorias realizadas nesta semana em ervateiras de Ilópolis e Arvorezinha, tradicionais municípios produtores de erva-mate.
Essas auditorias são complementadas por análises físico-químicas e microbiológicas que permitem verificar, na prática, se os processos adotados garantem a qualidade do produto final. Entre os parâmetros avaliados estão a presença de matérias estranhas, como resíduos plásticos, areia ou qualquer impureza, além de resíduos de agrotóxicos e micro-organismos, como salmonelas, coliformes, bolores e leveduras.
Segundo Rocha, esse controle é fundamental porque muitas vezes a percepção interna da empresa não corresponde à realidade identificada em laboratório. "A análise é fundamental porque traduz na prática se o processo está sendo bem executado. Às vezes, a empresa acredita que o produto está adequado, mas o laboratório pode revelar inconformidades", destaca Rocha.
RASTREABILIDADE E CREDIBILIDADE
Outro aspecto relevante do programa é a rastreabilidade, que permite identificar a origem de qualquer lote de erva-mate certificada. Caso o consumidor encontre algum problema, como alteração de sabor, cor ou características indevidas, é possível rastrear toda a cadeia até chegar aos produtores envolvidos, possibilitando a correção de falhas e evitando prejuízos maiores. Esse nível de controle fortalece a transparência e a confiança no produto, além de reduzir riscos para as empresas.
Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com cinco ervateiras certificadas há mais de dez anos e outras duas estão em processo de adequação. Apesar de o programa existir há mais de duas décadas e ser reconhecido como o único no país que certifica todo o processo de produção da erva-mate, a adesão ainda é voluntária e enfrenta desafios. Além disso, segundo o auditor, o setor ainda está em processo de amadurecimento, no que diz respeito à adoção de ferramentas de gestão da qualidade.
Para as empresas que aderirem ao programa, a certificação representa um importante diferencial competitivo. Além de funcionar como uma ferramenta interna de controle e melhoria contínua, o Selo de Qualidade Emater/RS agrega valor ao produto e amplia o acesso a mercados mais exigentes. Em alguns casos, redes de supermercados já estabelecem a certificação como critério para comercialização. Soma-se a isso o reconhecimento da Emater/RS-Ascar junto à população, o que reforça a credibilidade do produto no ponto de venda e influencia a decisão de compra do consumidor. "Hoje o consumidor está mais atento, lê rótulos e busca qualidade. O selo da Emater transmite confiança, porque é uma Instituição presente em todo o Estado e reconhecida pela população", afirma Rocha.
Mesmo consolidado, o programa pode crescer ainda mais. A certificação, no entanto, segue como referência técnica ao reunir, em um único processo, exigências que vão da produção no campo ao produto final. Em um cenário de maior controle sanitário e exigência por parte do mercado consumidor, a tendência é que iniciativas como esta passem a influenciar diretamente nos padrões de produção da cadeia ervateira. "Empresas interessadas podem procurar a Emater/RS-Ascar para uma avaliação inicial e orientação sobre o processo", conclui o extensionista.
O Dia do Chimarrão é comemorado em 24 de abril. A data celebra a bebida símbolo do Rio Grande do Sul, instituída pela Lei Estadual nº 11.929 de 2003, em homenagem à fundação do primeiro Centro de Tradição Gaúcha (CTG 35) em 1948. É uma tradição cultural que representa união, hospitalidade e a herança indígena Guarani.