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Preço da soja reage no mercado brasileiro

Preço da soja reage no mercado brasileiro


Foto: Emerson Peres

Os preços da soja registraram leve alta no Brasil ao longo da semana de 6 a 12 de março, impulsionados pela valorização do grão no mercado internacional. A análise consta em relatório divulgado na quinta-feira (12) pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema).

Segundo o levantamento, mesmo com o câmbio estável em torno de R$ 5,15 por dólar, o movimento observado em Chicago influenciou as cotações no mercado interno. Nas principais praças do Rio Grande do Sul, os negócios ocorreram ao redor de R$ 119,00 por saca durante a semana, enquanto em outras regiões do Brasil os preços oscilaram entre R$ 100,00 e R$ 117,00 por saca.

A colheita da soja segue avançando no país, embora ainda apresente atraso em relação ao ano anterior. De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a colheita no Mato Grosso alcançou 90% da área. Já no cenário nacional, levantamento da Pátria AgroNegócios indica que os trabalhos atingiram 47,4% da área cultivada no início da semana. No mesmo período do ano passado, a colheita estava em 58,7%, enquanto a média histórica é de 47,8%.

No Rio Grande do Sul, a Emater/RS informou que a quebra na safra de soja, em relação ao esperado inicialmente, é estimada em 11,3%. Com isso, a produção poderia alcançar cerca de 19 milhões de toneladas. Em algumas regiões, como o noroeste do estado, as perdas chegam a 30%. Ainda assim, a entidade ressalta que o resultado final dependerá das condições climáticas nas próximas semanas, já que as chuvas diminuíram em março.

Outra preocupação no estado e em outras áreas produtoras está relacionada ao abastecimento de diesel para a colheita. Segundo a análise da Ceema, a expectativa de alta nos combustíveis, associada aos efeitos da guerra no Oriente Médio, tem levado distribuidoras a reduzir a oferta do produto. O relatório aponta que importadores também estariam evitando abastecer o mercado interno enquanto o preço local não se ajusta à valorização internacional. Atualmente, o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. A diferença de preços em relação ao mercado externo estaria em torno de 50% para o diesel e de 20% para a gasolina, após a alta nas cotações do petróleo, que voltaram a se aproximar de US$ 100 por barril. Mesmo sem reajuste oficial da Petrobras, produtores gaúchos relatam aumento de cerca de R$ 1 por litro do combustível em algumas regiões e dificuldades para abastecimento junto a transportadores e revendedores.

O mercado também acompanha a suspensão de operações de exportação de soja para a China por parte da Cargill. Segundo o relatório, a decisão ocorreu após mudanças nos procedimentos de inspeção fitossanitária adotados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Conforme a análise, “suspendeu operações de exportação de soja do Brasil para a China devido a mudanças na inspeção fitossanitária pelo governo brasileiro”.

Ainda de acordo com o documento, o país passou a adotar uma fiscalização mais rigorosa após solicitação do governo chinês. “O Brasil estaria adotando uma inspeção mais rigorosa para a soja destinada à China, após solicitação do governo chinês, e a nova fiscalização está dificultando cumprimento de normas pelos comerciantes e a obtenção da autorização para o embarque do produto”, destaca o texto.

O relatório também aponta divergências nos procedimentos de inspeção. “Em vez de usar amostra padrão para inspeção que o mercado usa, está fazendo a própria amostragem, gerando diferenças, fato que leva o Ministério a não emitir os certificados fitossanitários. E sem tais certificados o navio não pode descarregar na China.” A análise acrescenta que negociações estão em andamento para solucionar o impasse.

Segundo a Ceema, várias tradings ficaram fora do mercado de exportação brasileiro na quinta-feira (12), com negócios concentrados apenas no mercado interno. Caso a situação não seja resolvida rapidamente, o relatório indica que o cenário pode pressionar as cotações internas da oleaginosa.

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