Nova regra pode travar financiamento no campo
Na prática, a nova regra amplia o papel de bancos e cooperativas de crédito
Na prática, a nova regra amplia o papel de bancos e cooperativas de crédito - Foto: Pixabay
Uma mudança no crédito rural começa a alterar a forma como operações são acompanhadas no país. Segundo análise de Maria Flávia Tavares, doutora em Agronegócios, a Resolução CMN nº 5.267, de 28 de novembro de 2025 do Banco Central do Brasil, em vigor desde 1º de março de 2026, marca a transição de um modelo pontual para um acompanhamento contínuo das operações.
Na prática, a nova regra amplia o papel de bancos e cooperativas de crédito, que passam a observar não apenas a concessão, mas todo o ciclo produtivo. Um dos elementos centrais dessa mudança é a adoção do sensoriamento remoto, com uso de imagens de satélite, sensores e radar para verificar a atividade financiada e aproximar o crédito da realidade do campo.
A exigência vale para operações acima de 300 hectares. O monitoramento começa antes mesmo da liberação dos recursos e segue ao longo da execução, considerando fatores como uso da terra, compatibilidade da produção e calendário agrícola. Esse acompanhamento contínuo introduz um novo padrão de análise, que deixa de depender exclusivamente de documentos e passa a incorporar informações territoriais.
Bases como o Cadastro Ambiental Rural ganham relevância nesse processo, reforçando critérios associados à agenda ESG, sobretudo no monitoramento ambiental das atividades financiadas. O efeito é uma mudança gradual na dinâmica do setor, com maior transparência no sistema e aumento das exigências sobre as decisões produtivas dentro das propriedades.
“O acesso ao crédito passa a estar cada vez mais conectado à forma como se produz, trazendo mais transparência para o sistema e, ao mesmo tempo, elevando o nível de exigência sobre as decisões dentro da porteira”, conclui.