Exportação de erva-mate perde ritmo
Falta de mão de obra afeta ervais no Rio Grande do Sul
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O Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (26) pela Emater/RS-Ascar aponta redução na produção de mudas e dificuldades na comercialização da erva-mate em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. O documento registra que, na regional de Frederico Westphalen, foi iniciada a semeadura direta nos tubetes, com previsão de queda no número de mudas produzidas, passando de 37 mil para 25 mil neste ano.
Segundo o informativo, “o preço previsto para as mudas varia entre R$ 2,50 e R$ 2,80 por unidade, a depender da quantidade adquirida”. A regional também relata controle de pragas e de inços, além de colheita e beneficiamento. Parte das pequenas ervateiras tem adquirido erva-mate cancheada de Arvorezinha e do Paraná, onde há maior oferta e preços mais baixos. O boletim destaca ainda falta de mão de obra para a colheita, fator que desestimula novos plantios e provoca abandono de ervais, com risco de arranquio caso o cenário não mude. A exportação está mais lenta devido à instabilidade do mercado internacional e à regularização de estoques na Argentina. Os preços variam de R$ 18,00 a R$ 20,00 por arroba para folha entregue na indústria e R$ 16,00 por arroba para produto destinado à exportação e ao tererê.
Na regional de Lajeado, a cultura está em fase de brotação e final de frutificação. O informativo registra que as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento dos ervais em razão do calor e da umidade do solo. Foram observados ataques de pragas, principalmente ampolas, lagartas e ácaros. Conforme o boletim, “muitas ervateiras estão vigilantes quanto ao uso de produtos não registrados na cultura, desligando produtores que não seguem as recomendações de Boas Práticas Agrícolas”. A produção regional conta com 70 indústrias em operação. Nos dias 3 e 4 de fevereiro, foi realizado, em Ilópolis, curso de atualização de 40 horas em Boas Práticas de Fabricação, exigido pela Portaria SES nº 194/2016. Os preços variam de R$ 13,00 a R$ 17,00 por arroba para erva-mate convencional, R$ 18,00 para a nativa e R$ 19,00 para a nativa sombreada.
Na regional de Soledade, a cultura está em fase reprodutiva, com maturação das sementes, o que tem reduzido a colheita, já que as sementes afetam a qualidade da erva. A comercialização segue com dificuldades em razão da alta oferta e do baixo consumo. O preço pago ao produtor varia entre R$ 14,00 e R$ 16,00 por arroba.
Em Passo Fundo, os ervais estão na fase final de frutificação. O monitoramento de insetos é realizado com armadilhas desenvolvidas em parceria entre a Associação dos Produtores de Erva-mate de Machadinho, Embrapa Florestas, Emater/RS-Ascar, Prefeitura de Machadinho e Fundação Solidaridad. As mudas entram no período de aclimatação antes do plantio definitivo. Na região de Machadinho, o valor pago é de R$ 18,00 por arroba entregue na indústria e R$ 19,00 para a cultivar Cambona 4. A matéria-prima destinada ao sistema barbaquá está cotada a R$ 20,00 por arroba, mesmo valor praticado em Mato Castelhano para produto com o mesmo destino.