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Novas cultivares de uvas buscam reforçar produção de sucos e vinhos brasileiros

Novas uvas tintureiras ampliam a produção e autonomia da vitivinicultura brasileira


Foto: Divulgação

A Embrapa Uva e Vinho, no Rio Grande do Sul, lançou nesta segunda-feira (10) as cultivares BRS Lis e BRS Antonella, duas uvas tintureiras voltadas à elaboração de sucos e vinhos de mesa. Segundo a Embrapa, o lançamento conjunto busca evidenciar a complementaridade agronômica e industrial das duas cultivares, que, quando utilizadas de forma combinada, ampliam a eficiência produtiva, reduzem riscos fitossanitários e qualificam os produtos finais da agroindústria.

Desenvolvidas no âmbito do programa de melhoramento genético Uvas do Brasil, da Embrapa Uva e Vinho, as cultivares são indicadas para a Serra Gaúcha, principal polo brasileiro de uvas destinadas ao processamento. Conforme a instituição, os materiais foram avaliados por mais de dez anos em áreas experimentais da Embrapa e em unidades de validação, com a participação de produtores e cooperativas, com desempenho alinhado às demandas do setor.

O lançamento das cultivares ocorre durante dias de campo realizados entre 10 e 12 de fevereiro de 2026, na sede da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, conforme informou a Embrapa.

De acordo com a Embrapa Uva e Vinho, a BRS Lis é uma uva de ciclo intermediário, com colheita prevista para a primeira quinzena de fevereiro, e apresenta tolerância ao míldio e às podridões dos cachos. A pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho Patrícia Ritschel afirmou que “Seus cachos soltos contribuem para menor incidência de doenças e maior estabilidade produtiva, favorecendo sistemas de cultivo mais sustentáveis”.

Ainda segundo a Embrapa Uva e Vinho, a BRS Antonella apresenta potencial produtivo comparável ou superior ao de cultivares tradicionais e é indicada para agregar volume de produção e intensidade de cor a sucos e vinhos. O coordenador do programa Uvas do Brasil, da Embrapa, João Dimas Garcia Maia, declarou que “A BRS Antonella tem ciclo intermediário e se adapta bem à Serra Gaúcha, o que possibilita uma integração eficiente aos sistemas produtivos já consolidados”.

A Embrapa Uva e Vinho informou que o uso conjunto das duas cultivares permite ajustes nos cortes industriais, ao combinar o volume produtivo da BRS Antonella com a qualidade tecnológica, sanidade e intensidade de cor da BRS Lis, reduzindo a dependência de cultivares tradicionais mais suscetíveis a doenças ou com limitações produtivas e no processamento.

Segundo a Embrapa, a vitivinicultura brasileira, com concentração no Rio Grande do Sul, é baseada majoritariamente em uvas destinadas à produção de sucos e vinhos de mesa e depende historicamente de poucas cultivares americanas e híbridas, como Isabel, Bordô e Concord, que apresentam vantagens e desafios relacionados à sanidade, produtividade e qualidade tecnológica.

A validação em campo das novas cultivares foi realizada por associados das cooperativas Aurora, São João e Agroindustrial Paraíso, em áreas nos municípios de Bento Gonçalves, Pinto Bandeira, São Valentim do Sul, Farroupilha e Dois Lajeados, no Rio Grande do Sul, conforme informou a Embrapa Uva e Vinho.

O material propagativo das cultivares BRS Lis e BRS Antonella será disponibilizado por viveiristas licenciados pela Embrapa, segundo a instituição.

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