Tempo mais seco favorece a colheita de grãos
Tempo seco acelera colheita, mas dificulta a produção de grãos na Região Sul
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As condições climáticas na Região Sul têm imposto desafios à safra de verão 2025/2026, segundo avaliação do Instituto Nacional de Meteorologia. De acordo com o instituto, “o fenômeno La Niña favoreceu a ocorrência de chuvas mais irregulares e a redução dos acumulados em relação ao normal para o período, impactando boa parte da safra”.
No Rio Grande do Sul, os impactos sobre a cultura da soja têm provocado grande variação de produtividade entre as regiões. Conforme o INMET, “essa variação decorre tanto da ocorrência de pancadas de chuva isoladas quanto do aumento das temperaturas no final de janeiro e início de fevereiro”, cenário que, associado ao ar mais seco, provocou déficit hídrico em fases críticas das lavouras semeadas entre outubro e novembro.
Em Santa Catarina e no Paraná, as condições climáticas foram menos adversas, o que resultou em melhor produtividade. Segundo o instituto, “atualmente, a condição de tempo seco observada na região Sul do país favorece o avanço da colheita de soja em grande parte da região”.
As áreas de soja safrinha, geralmente semeadas após a colheita do milho no Rio Grande do Sul, também têm sido afetadas pela irregularidade das chuvas. De acordo com o INMET, “as áreas semeadas em janeiro enfrentaram um período seco e muito quente no final do mês e início de fevereiro”.
Esse cenário foi parcialmente amenizado por pancadas de chuva registradas no segundo decêndio de fevereiro, entre os dias 11 e 20. Ainda assim, o instituto informa que, em março, “houve novamente ocorrência de chuvas mais localizadas, que, associadas às temperaturas elevadas, aumentaram o risco de perdas”, situação observada na região de São Luiz Gonzaga em áreas semeadas em 15 de janeiro.
Estimativas do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária indicam que a perda de produtividade da soja pode alcançar 50,4% até 6 de abril. O sistema considera indicadores agrometeorológicos, como precipitação, evapotranspiração e o balanço hídrico do solo para avaliar os efeitos das condições climáticas sobre o desempenho das culturas.
No Paraná, o cultivo do milho segunda safra apresenta cenários distintos entre as regiões. No oeste do estado, onde o plantio ocorreu principalmente entre o final de janeiro e a primeira quinzena de fevereiro, já foram registrados problemas relacionados às altas temperaturas e à irregularidade das chuvas. Mesmo com pancadas registradas no segundo decêndio de março, o INMET aponta que “as perdas já são significativas”, como observado na região de Marechal Cândido Rondon. No centro-norte do estado, onde a semeadura é mais tardia e ainda ocorre em algumas áreas, as condições têm sido mais favoráveis, com maior frequência de chuvas.
De forma geral, os eventos de precipitação ocorreram de maneira irregular ao longo de março e vieram acompanhados de temperaturas mais elevadas. Segundo o instituto, esse cenário resultou em limitação hídrica, principalmente em áreas do oeste da Região Sul, onde o armazenamento de água no solo ficou abaixo de 30%. A condição reduz o crescimento radicular e da parte aérea das plantas e pode provocar abortamento de flores e grãos, dependendo da fase fenológica da cultura.
Nesse contexto, áreas com restrição hídrica têm registrado impactos no desenvolvimento do milho e do feijão segunda safra no Paraná. Já no Rio Grande do Sul, as culturas mais afetadas incluem o milho para silagem, a soja safrinha e as pastagens. O INMET também aponta que, em algumas áreas do estado, já começaram as operações de preparo do solo para o plantio das culturas de inverno.
Para os próximos dias, a previsão indica irregularidade na distribuição das chuvas na Região Sul. Os maiores acumulados devem ocorrer no centro e no noroeste do Paraná, com volumes entre 30 e 90 milímetros. No Rio Grande do Sul, os volumes mais elevados devem se concentrar no sul do estado, variando entre 20 e 50 milímetros. Em Santa Catarina, a tendência é de chuvas isoladas, com acumulados entre 3 e 12 milímetros.
Em relação às temperaturas, o prognóstico aponta máximas entre 28 °C e 34 °C na maior parte da região. No sudoeste do Rio Grande do Sul, os valores podem superar os 32 °C, com tendência de queda a partir de domingo (5). De acordo com o instituto, “esse cenário, associado à irregularidade das chuvas e às temperaturas mais elevadas, tende a contribuir para a redução dos estoques de água no solo”, especialmente no noroeste do estado, onde o déficit hídrico deve persistir até o fim da semana.
Diante desse quadro, o INMET recomenda atenção no planejamento das atividades agrícolas. Segundo o instituto, “recomenda-se o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas e o monitoramento das condições de umidade do solo”, medida que pode apoiar a tomada de decisões no manejo das lavouras e no planejamento das operações de campo.