China reforça estratégia para ampliar produção de grãos
O governo chinês defende ganhos de eficiência e capacidade produtiva
O governo chinês defende ganhos de eficiência e capacidade produtiva - Foto: Canva
A China reforçou nesta semana sua estratégia de segurança alimentar ao sinalizar que seguirá ampliando a produção de grãos, em meio a desafios internos e à forte dependência externa em algumas culturas. A diretriz foi apresentada durante a Conferência Central de Trabalho Rural, principal fórum do país para definição de políticas agrícolas, e indica que o tema seguirá no centro das prioridades do governo.
Segundo comunicado divulgado pela agência estatal Xinhua, a orientação é manter uma postura de nenhum relaxamento no esforço para elevar a produção, combinando políticas de apoio à agricultura, desenvolvimento das áreas rurais e aumento da renda dos agricultores. A estratégia também inclui a busca por preços considerados razoáveis para grãos e outros produtos agrícolas essenciais, de forma a equilibrar estímulos à produção e estabilidade do mercado interno.
O governo chinês defende ganhos de eficiência e capacidade produtiva por meio da integração de terras agrícolas, sementes, máquinas e técnicas consideradas avançadas. Dados oficiais mostram que a produção total de grãos cresceu 1,2% em 2025, alcançando o recorde de 714,9 milhões de toneladas. A meta estabelecida é ampliar a capacidade em mais 50 milhões de toneladas até 2030.
Em fevereiro de 2025, o país divulgou o chamado Documento Central nº 1, que reforça o compromisso com a segurança alimentar nacional e abre espaço para a adoção de cultivos geneticamente modificados, antes proibidos. Embora o país produza internamente mais de 90% do milho, trigo e arroz que consome, a soja segue como um ponto sensível.
Mesmo com crescimento contínuo da produção doméstica, estimada em um recorde de 21 milhões de toneladas neste ano, a China permanece fortemente dependente de importações. Para a safra 2025/26, as compras externas devem atingir 112 milhões de toneladas, com o Brasil consolidado como principal fornecedor. Apesar de um acordo para aquisições relevantes de soja americana no fim de 2025, parte desse volume ainda não teria sido efetivamente comprada.