Clima afeta rendimento do feijão gaúcho
Colheita avança, mas produção é menor
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A colheita do feijão da primeira safra no Rio Grande do Sul entra na fase final ou já foi concluída em parte das áreas, com produtividade influenciada pelas condições climáticas registradas ao longo do ciclo. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (19) pela Emater/RS-Ascar.
De acordo com o relatório, “a cultura está em fase final de colheita ou já concluída, com desempenho produtivo condicionado, sobretudo, pelas condições climáticas registradas durante o período reprodutivo”. A restrição hídrica a partir da segunda quinzena de janeiro, associada a temperaturas elevadas, afetou principalmente as lavouras tardias localizadas no Nordeste do estado.
Apesar da redução no volume produzido, a qualidade dos grãos colhidos é considerada adequada. A entidade projeta área de 23.029 hectares e produtividade média de 1.781 quilos por hectare.
Na região administrativa de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, a colheita segue em andamento, mas com perdas associadas à menor disponibilidade de chuvas nas fases de floração e enchimento de grãos. A produtividade, inicialmente estimada em 2.400 quilos por hectare, deve ficar abaixo de 1.800 quilos por hectare.
Para o feijão da segunda safra, o desenvolvimento das lavouras varia conforme a umidade do solo e a ocorrência de chuvas. Segundo o informativo, “a segunda safra está predominantemente em estádios vegetativos e reprodutivos”, com desempenho considerado adequado em áreas com irrigação ou com precipitações mais regulares.
Em regiões onde a semeadura ocorreu sob baixa umidade, há dificuldades no estabelecimento das plantas e maior incidência de pragas favorecidas pelo clima seco. A projeção da Emater/RS-Ascar é de área de 7.774 hectares e produtividade média de 1.504 quilos por hectare.
Na regional de Ijuí, as lavouras estão majoritariamente em fase reprodutiva, com 20% em floração e 44% em formação de vagens. As condições são consideradas satisfatórias, sem sinais de déficit hídrico, devido ao uso de irrigação.
Na região de Santa Maria, as lavouras apresentam desenvolvimento favorecido pela regularidade das chuvas em fevereiro, com produtividade estimada em 1.347 quilos por hectare.
Já em Soledade, a área plantada foi reduzida para 1.101 hectares, abaixo da estimativa inicial de 1.756 hectares, em função da dificuldade de semeadura em solo seco. O relatório aponta que “a falta de chuvas tem limitado o crescimento das plantas”, além do registro de pragas como ácaros e tripes. A produtividade estimada gira em torno de 1.600 quilos por hectare, condicionada às condições hídricas nas próximas fases do ciclo.